O mercado físico pecuário brasileiro encerrou o último ciclo de negociações demonstrando forte resiliência. De acordo com o mais recente balanço do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço do boi gordo Cepea operou de forma firme e com viés de alta na maior parte das praças produtoras do país. O comportamento firme das cotações ocorreu mesmo diante de uma liquidez reduzida na última sexta-feira, reflexo natural do prolongamento do feriado.
Pesquisadores do centro de estudos apontam que muitos agentes optaram por se ausentar do balcão de negócios no fim da semana. No entanto, o volume de transações efetivadas foi suficiente para consolidar os patamares de preços elevados, impulsionados, principalmente, por escalas de abate que seguem apertadas nos frigoríficos.
Escalas de abate curtas
O grande pilar de sustentação para os preços atuais é a oferta restrita de gado pronto para o abate. Esse cenário força as indústrias a trabalharem com programações de abate mais apertadas, gerando disputa velada pelos lotes disponíveis.
Em São Paulo, que atua como a principal praça de referência para o setor no país, a arroba manteve seu posicionamento de força. O grosso dos negócios paulistas concentrou-se no intervalo entre R$ 350,00 e R$ 355,00. No entanto, contratos pontuais envolvendo lotes de maior padrão de qualidade alcançaram a máxima de R$ 365,00 por arroba. As indústrias paulistas operam hoje com programações que variam de quatro a dez dias.
No Centro-Oeste, o panorama repetiu a estabilidade. No Mato Grosso, mais especificamente na região de Cáceres, a arroba flutuou entre R$ 340,00 e R$ 350,00, registrando reajustes isolados para cima de R$ 5,00 nas negociações que vinham abaixo da média. A mesma estabilidade de R$ 340,00 a R$ 350,00 foi observada no Mato Grosso do Sul, onde as escalas de programação de abate também indicam prazos enxutos de quatro a dez dias.
Valorização regional
A análise do comportamento do mercado pecuário no balanço semanal revela que a força da cadeia produtiva não ficou restrita aos grandes eixos. Diversas regiões monitoradas registraram valorização expressiva quando comparadas ao período anterior:
- Rio Grande do Sul: Liderou os ganhos com um avanço expressivo de 3,2%.
- Bauru (SP): Registrou valorização interna de 1,9%.
- Rondônia: Apresentou evolução positiva de 1,6% no preço pago ao produtor.
Com a virada da semana, analistas de mercado preveem uma retomada expressiva no volume de intenções de compra e venda, visto que muitos peuaristas e compradores seguraram suas decisões à espera de uma definição mais clara dos rumos do mercado após o período de recesso.
Atacado sofre ajuste pontual
Enquanto o animal vivo segue valorizado no campo, o elo da distribuição registrou um comportamento ligeiramente oposto no encerramento da semana. No mercado atacadista da Grande São Paulo, a carne bovina de carcaça casada apresentou um leve recuo técnico de 0,48%.
Com essa oscilação, o quilo da proteína foi negociado na média de R$ 24,67 à vista. Esse movimento pontual reflete o escoamento mais lento e a calmaria típica de fim de semana nos centros urbanos, mas não altera a tendência geral. O diagnóstico dos especialistas é claro: enquanto a oferta de boiada gorda permanecer curta no campo, a pressão de baixa no atacado dificilmente conseguirá se sustentar por longos períodos.
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