O mercado do agronegócio acompanha de perto a trajetória do preço do boi gordo no primeiro semestre de 2026. Após atingir a máxima nominal histórica na primeira metade de abril, o indicador passou por um movimento de correção, mas segue em patamares elevados em relação aos anos anteriores.
Para ajudar o produtor e o investidor a se posicionarem estrategicamente, analisamos os fundamentos que movimentam a arroba no mercado físico, as projeções da bolsa e o impacto do mercado externo.
O mercado físico em abril e o comportamento da arroba
Na primeira metade de abril de 2026, mais especificamente no dia 15, o indicador do boi gordo atingiu sua máxima diária, sendo cotado a R$ 367,30 por arroba. Contudo, na segunda quinzena, o mercado físico sofreu uma pressão vendedora, registrando uma queda de 3,5% até o final do mês.
Apesar dessa retração recente, o cenário acumulado no ano ainda é de alta. Entre o final de março e o último preço de abril (30), o recuo foi de apenas 0,4%. No acumulado de 2026, o preço do boi gordo registra valorização de 11,0% frente ao valor que encerrou 2025.
Entre as commodities agrícolas acompanhadas, apenas o preço do bezerro registrou alta no mês de abril, enquanto milho, soja e o boi gordo apresentaram queda em relação ao mês anterior.
Projeções para maio: O que diz o mercado futuro (B3)
Para o mês de maio, as expectativas indicam que o preço do boi gordo deve seguir pressionado, mas ainda assim renovar a máxima nominal para o período do ano.
O mercado futuro da B3 precificou, no final de abril, uma retração de 6,0% no preço esperado da arroba para maio, frente ao valor médio de abril (R$ 362,80). O contrato futuro para maio de 2026 foi cotado a R$ 341,20 por arroba no último dia 30 de abril.
Apesar de ficar abaixo da média nominal do mês anterior, esse valor é superior ao recorde nominal para o período do ano, que pertencia a 2022 (R$ 323,10).
Desempenho e Expectativa da Arroba (em R$)
| Indicador / Período | Preço / Cotação (R$/Arroba) | Variação frente ao mês anterior |
| Máxima Diária (Abril/2026) | R$ 367,30 | +1,2% (no pico) |
| Média Mensal (Abril/2026) | R$ 362,80 | +3,1% |
| Projeção de Ajuste (Maio/2026 – B3) | R$ 341,20 | -6,0% |
O fator cambial e o cenário nos Estados Unidos
Mudando de patamar, o preço do boi gordo em dólares também renovou a máxima nominal em abril. Enquanto o preço em moeda nacional subiu 12,0% entre abril de 2025 e abril de 2026, o preço do boi gordo em dólares subiu quase 30%.
Esse movimento foi impulsionado pelo câmbio. O dólar médio em abril de 2026 foi cotado a R$ 5,03, um valor 12,9% abaixo do observado no mesmo mês do ano anterior (R$ 5,78) e no menor patamar desde março de 2024.
O choque no rebanho norte-americano
Nos Estados Unidos, a situação é de escassez de oferta, com o rebanho bovino nos menores patamares da história:
- Cotação (Nebraska, Choice 60-85): US$ 162,30 por arroba em abril de 2026.
- Variação Anual: 16,7% acima do praticado no mesmo período de 2024 (US$ 139,10).
- Valorização: Mais do que dobrou em comparação com os valores de 2020.
Como consequência, o preço da carne bovina nos EUA renovou a máxima nominal para um mês de abril pelo segundo ano consecutivo, subindo quase 15% frente ao valor nominal de abril de 2025.
Impacto nas exportações brasileiras
O déficit de oferta nos Estados Unidos tem sido uma janela de oportunidade para o Brasil. As exportações de carne bovina brasileira para o mercado norte-americano atingiram o recorde histórico para o primeiro trimestre de 2026, com 98,17 mil toneladas métricas, um volume 28,5% superior ao registrado no primeiro trimestre de 2025.
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