08 de agosto de 2026
ELEIÇÕES 2026 • atualizado em 06/05/2026 às 12:16

Pré-candidatos do PT pediram prévia da Executiva para iniciar caminhada em Goiás, diz Cláudio Curado

Jornalista do PT diz que indefinição prejudica estratégia eleitoral, defende renovação política e apresenta propostas
Jornalista Cláudio Curado um dos cotados do PT à disputa desse ano pelo governo - Foto: reprodução de vídeo / YouTube
Jornalista Cláudio Curado um dos cotados do PT à disputa desse ano pelo governo - Foto: reprodução de vídeo / YouTube

O jornalista Cláudio Curado, um dos nomes à disposição do PT para disputar o governo de Goiás na eleição desse ano, relata que ele e outros cotados pediram que a Executiva do partido faça uma prévia para que eles possam iniciar os contatos da fase de pré-campanha. A declaração foi durante entrevista ao Programa Microfone Aberto, da Rádio Difusora, em parceria com o Diário de Goiás. O jornalista falou sobre propostas que pretende apresentar se for o escolhido.

A demora na definição, destaca ele, “atrapalha muito, porque nós não temos a musculatura política que os outros partidos têm”. Ele seguiu, lembrando que o PT hoje “tem três prefeitos em Goiás, contra 243 prefeitos no centro e da direita. Temos em torno de 20 vereadores contra 2 mil vereadores”. Curado pontua que sua experiência em campanhas para o governo, como jornalista e marqueteiro político, mostra que esses números fazem muita diferença.

“A gente tinha que ter saído antes com o nome, pra poder andar no Estado, movimentar a militância. Como diz um companheiro de Silvânia, soprar a brasa que está meio apagada de muita militância do interior, pra poder aquecer o partido”, afirma Cláudio Curado. Ele lembra da importância dessa movimentação no contexto da eleição presidencial: “Se o Lula tem 40% dos votos, a gente tem condição de, pelo menos, buscar ter metade dos votos do Lula aqui, e com 20% até ter chance de ir pra um eventual segundo turno”.

“Essa semana eu conversei com os outros dois pré-candidatos (…) e a gente pediu [perguntou] ao partido: vai ter uma prévia? Nós somos autorizados a andar no Estado pra conversar com os companheiros? vai ser uma prévia, mesmo que lá final de junho? (…). Isso é o fundamental, mas a gente não teve essa resposta ainda e isso está prejudicando e vai ter reflexo na eleição pra governador. Eu espero que não tenha pra federal e estadual”, reforçou.

Ao mesmo tempo em que reclama da Executiva do partido, Cláudio afirma que a razão é que o PT decide em conjunto e funciona no “contrário dos partidos de direita, assim, o Daniel fala, acabou. O Wilder fala e pronto. [Eles] têm dono. O PT não tem dono”.

Segundo justifica, a executiva poderá recomendar o nome que vai ser referendado ou não no diretório e vai para um encontro estadual  quando o partido decide se vai ter candidato, qual será e se vai ter composição com alguém. Com isso, minimizou críticas à deputada federal Delegada Adriana Accorsi, presidente estadual do PT. “Ela não decide. Esse é um problema”, sinalizou. 

Para o jornalista, o que agrava a situação do PT goiano em relação às eleições desse ano, é não ter trabalhado para fortalecer um nome local. “O PT não construiu nos últimos dois anos um nome para apresentar, um nome que tivesse visibilidade, que poderia ser o do professor Edward. Então, se inscreveram o Luiz César, que é um ex-deputado, com seis mandatos, com uma história, o Valério Luiz (advogado) e eu me inscrevi ao final”, lembrou, justificando que são todos nomes com dificuldade para aparecerem em pesquisas se não forem colocados rapidamente na disputa.

Além disso, os planos de Edward, por exemplo, são para disputar mandato de deputado federal esse ano e, segundo Curado, o de prefeito de Goiânia em 2026. Enquanto Adriana, que aparece nas pesquisas, pretende buscar a reeleição.

Registrado internamente como Jornalista Cláudio Curado, ele disse que definiu propostas para sua pré-candidatura se for o escolhido pelo PT. Uma delas e não se candidatar para eventual reeleição. “Se por acaso eu for candidato e for eleito, é para um mandato de quatro anos. Eu não gosto da reeleição e vou trabalhar os quatro anos, depois não me peçam porque eu sou um cara de palavra, quatro anos, acabou, eu vou cuidar da minha vida, eu vou fazer outra coisa, porque eu já tenho 63 anos e eu posso fazer outras coisas na vida ainda” prometeu.

Curado se comprometeu também, se eleito, a publicar todo mês de maio nos jornais a declaração de imposto de renda dele. “É para as pessoas verem que eu vou entrar e vou sair com o mesmo patrimônio que eu tenho. Minha referência é o Pepe Mujica, que entrou e saiu pobre da presidência do Uruguai. Eu não sou pobre, eu tenho uma casa, eu tenho um pequeno patrimônio, mas eu vou sair com o mesmo patrimônio que eu entrar”.

Na área da segurança ele fez um compromisso relacionado à proteção das mulheres. “Eu fiquei abismado com esse dado, Goiás tem 22 delegacias da mulher. A única que funciona 24 horas é a que fica no centro de Goiânia. Todas as outras funcionam de segunda a sexta, das 8 às 18, e final de semana não funciona. Quer dizer, a mulher que é agredida no final de semana, ela tem que sair de Aparecida de Goiânia, vir na central de flagrante da Polícia Civil, na Cidade Jardim, em Goiânia para registrar a ocorrência. Quer dizer, ela foi agredida lá, tem que entrar no carro, andar uma hora espancada para poder registrar? Isso é um absurdo. Tudo porque não tem contingente. Daria para fazer lá [em Aparecida]”, observa.

Ele segue falando que “falta vontade do atual governador e do ex-governador de pôr as 22 delegacias  para funcionar depois das 18h e no final de semana, horários onde tem maior número de agressões às mulheres em Goiás. Fala-se bonito, faz propaganda que em Goiás o homem ganha algema e tal. Não, eu preciso dar proteção para a mulher, não é só dar algema para o cara, que tem que ter. Mas eu tenho que dar proteção à mulher”, completou.


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