08 de agosto de 2022
Entrevista • atualizado em 30/07/2022 às 09:55

Pré-candidato, Vanderlei Azevedo acredita em “possibilidade real” de Goiás ter primeiro senador de esquerda

Nome do pré-candidato apareceu com 3,1% das intenções de voto na última pesquisa Serpes
Vanderlei Azevedo (PT) tem propostas "ousadas" em sua plataforma de campanha (Foto: Reprodução)
Vanderlei Azevedo (PT) tem propostas "ousadas" em sua plataforma de campanha (Foto: Reprodução)

Até então desconhecido na corrida para o Senado em Goiás, o ex-presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Caiçara, Vanderlei Azevedo apareceu na última pesquisa Serpes divulgada pelo Jornal O Popular na sexta-feira passada (22/07) com 3,1% das intenções de voto, empatado tecnicamente com o ex-senador Wilder Morais, do PL 3,4%. De lá para cá, teve agendas para tratar da pré-campanha, mas com muita discrição e pouco deu entrevistas.

Ainda discreto em relação a pré-campanha, Vanderlei Azevedo participou do lançamento de outras pré-candidaturas a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores. Apenas na última semana para formalizar as pré-campanhas é que decidiu colocar seu nome à disposição da legenda. “Eu entendi que não era o momento de divulgar a pré-campanha para todas as pessoas de maneira aberta”, revelou em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás. Apesar da discrição, Azevedo não esconde a alegria em ter visto sua pontuação na pesquisa: “Recebi com muita satisfação. Eu esperava que já iria pontuar mas não imaginava que teria essa menção expressiva”, destaca.

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Primeiro senador de esquerda?

Natural de Morrinhos, Vanderlei Azevedo está convicto de que tem potencial para crescer ainda mais nas futuras pesquisas de intenção de voto, com seu nome já consolidado e confirmado para a disputa, Azevedo está esperançoso que pode ser o primeiro senador de esquerda eleito em Goiás.

“Eu acredito na possibilidade real de vitória e que o Estado de Goiás tenha o primeiro senador de esquerda. Nunca tivemos nenhum de esquerda. Sempre tivemos de centro ou centro-direita. Eu vejo como uma chance real de chegarmos ao Senado Federal, se assim o partido entender, se assim a federação enxergar”, pontua. Azevedo inclusive comemora o fato de ter pontuação maiores que as votações dos candidatos do PT ao Senado em 2018. Luís César Bueno teve 1,84% dos eleitorado naquele pleito, enquanto a professora Geli de Anápolis obteve 2,41%. 

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“Nós consideramos que o caminho é esse e que estamos certos”, avalia Vanderlei Azevedo. “A minha pré-candidatura já pontua melhor que os nossos candidatos na eleição passada.”, complementa. Com outros nomes dentro da Federação querendo uma vaga na chapa majoritária ao Senado Federal, também está convicto de que terá sua pré-candidatura confirmada ao pleito. O assunto deverá ser resolvido com serenidade e sem levantes autoritários. Já trabalham em suas pré-candidaturas a ex-deputada Denise Carvalho pelo PCdoB e o presidente estadual do PV, Cristiano Cunha.

‘Não vamos nos digladiar’

“Nós não podemos estar nos degladiando e medindo forças entre nós, quem perde é a federação e os partidos. Temos de procurar uma maneira conciliadora de resolver os problemas que estão surgindo. Com o resultado da pesquisa, me sinto credenciado e preparado, não só para representar a frente dos três partidos e de mais partidos que vierem a somar para propor a mediação do diálogo e propor que o ganho não seja só do PT,  e seja de todos os partidos, mas dos goianos”, pontua.

Ele indaga: a Federação vai concorrer ao Senado para ganhar ou para agradar composições e legendas? “Vamos disputar o Senado só para contrabalancear e incluir um partido porque ele faz parte da Federação que foi construída a várias mãos no cenário nacional ou queremos disputar a oportunidade de vencer? De ter uma participação representação efetiva?”, questiona. Ele diz que seu mandato terá participação de todas as forças partidárias que caminharem consigo. “A composição do meu mandato em caso de vitória pode ser mista e definida entre a federação”, pontuou.

‘Propostas ousadas’ para o mandato

Vanderlei é um pré-candidato que trabalha com propostas ousadas dentro de sua plataforma de campanha. Por exemplo: quer levar a plebiscito a questão da discriminação das drogas, em especial da maconha, tanto para uso recreativo e especialmente para uso medicinal. Também pretende fazer o mesmo com relação ao aborto. “Elas são colocadas de maneira por veículos da imprensa e até religiosos de maneira tendenciosa. Queremos ter um debate realista e para isso um plebiscito é necessário e importante, além de democratizar a participação da sociedade na vida política do país”, explica.

Mas não para por aí. O pré-candidato considera oito anos demais para um senador e quer mudar o cenário. “Gostaríamos de colocar em discussão a questão das eleições para o mandato de Senador que hoje é de oito anos que eu acho longo. Temos senadores suplentes que não tiveram um voto sequer e hoje está no Senado. Quero acabar com isso. Se o primeiro colocado não puder assumir, que vá o segundo colocado e que tenha voto”, destaca. Em outras palavras, Vanderlei quer acabar com a suplência ao Senado Federal.

O pré-candidato também quer mudar a estrutura do Supremo Tribunal Federal colocando mandatos para os ministros do colegiado. “Defendo também um mandato de quatro anos para o STF e também para o STJ onde os ministros não tenham mais cargos vitalícios. A forma de indicação gostaríamos de envolver mais entidades da sociedade civil. Que pudéssemos ter a proporcionalidade da sociedade representada”, explicou. “Não é um consenso, algumas propostas são ousadas”, reconhece.

‘Senador da comunidade’ como quer levar a campanha, Vanderlei ressalta a preocupação que tem com o jovem da periferia e quer estimular a geração de renda entre o público. “Questão da geração de renda que é uma das preocupações e apoio da juventude. Trabalhamos na campanha contra o extermínio do jovem e contra a falta de oportunidade, especialmente do jovem de periferia, pobre e negro. Ao mesmo tempo fortalecendo a emancipação das mulheres que tenham as mesmas oportunidades. Tenham não apenas cotas políticas, mas que 50% das vagas sejam destinadas às mulheres, como acontece no parlamento argentino”, conclui.