O síndico Cléber Rosa de Oliveira e o filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos pela Polícia Civil na madrugada desta quarta-feira (28) suspeitos do homicídio da corretora Daiane Alves Souza, 43 anos, desaparecida há 42 dias, em Caldas Novas, no sul de Goiás. Um porteiro do condomínio, ainda não identificado, também foi conduzido coercitivamente à delegacia para prestar esclarecimentos.
Após as prisões, o delegado Pedromar Augusto de Souza, confirmou que o local onde o corpo da corretora está foi encontrado em uma área a 15 quilômetros de Caldas Novas, na saída para Ipameri e Pires do Rio, na mesma região. Também foi cumprido mandado de busca e apreensão em Catalão, onde foram apreendidos um celular e um notebook de uma pessoa ainda não identificada.
De acordo com informações da TV Anhanguera, o corpo foi encontrado em um barranco próximo da GO 213, em avançado estado de decomposição. A rodovia ficou parcialmente interditada durante a manhã para a perícia do local e a recuperação da ossada. Cleber levou a polícia até o local. Ele e o filho devem ser transferidos para Goiânia ainda nesta quarta.
O síndico tinha dito anteriormente que não havia saído no dia em que a mulher desapareceu, e essa contradição foi desmontada nas investigações. Tudo indica que o síndico levou o corpo da corretora dentro da carroceria da caminhonete dele, com a capota fechada. Após empurrar o corpo pelo barranco na rodovia, ele retornou e o carro foi filmado com a capota aberta.
A polícia ainda não detalhou se as prisões são preventivas ou temporárias e nem o que pai, filho e porteiro já declararam em depoimento. Mas o síndico teria dito aos agentes que agiu sozinho no momento em que discutiu com a corretora no subsolo do prédio, culminando com o homicídio.
Daiane já tinha feito mais de dez representações contra Cléber por perseguições que envolviam cortes propositais de energia, gás e água dos apartamentos que ela administrava no condomínio, mesmo com as contas em dia. Na data do sumiço, em 17 de dezembro, ela estava justamente conferindo o corte de energia de um dos apartamentos quando foi ao subsolo e nunca mais foi vista.
A corretora que foi morta em Caldas Novas tinha sido vista entrando no elevador, passando pela portaria para falar com o recepcionista e depois retornando ao elevador com destino ao subsolo. Ela gravou um vídeo com parte desse trajeto que foi enviado a uma amiga.
Quem era Daiane
A corretora de imóveis morta em Caldas e sua família são de Uberlândia (MG). Ela e morava em Caldas havia dois anos. Lá Daiane administrava diversos apartamentos da família, locando as unidades para temporada, o que algumas vezes gerava conflitos com outros moradores e com a administração.
Inicialmente a família foi informada de que não havia imagens de câmeras de segurança no subsolo. Na semana passada, entretanto, o gravador de câmeras (DVR) foi levado para passar pela perícia para checagem a esse respeito e verificar se houve manipulação para deletar imagens.
A Polícia Civil recolheu também os objetos pessoais que estavam no apartamento da corretora para ajudar na investigação.
O síndico já foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de perseguição (stalking) contra Daiane, com agravante de abuso de função. A denúncia do promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, aponta que Cleber teria utilizado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina de Daiane, para vigiá-la por meio do circuito de câmeras do condomínio e assim submeter a corretora a constrangimentos dentro do condomínio.
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