09 de agosto de 2026
ELEIÇÕES 2026 • atualizado em 04/08/2026 às 12:29

Polícia desarticula rede neonazista que planejava atentados nas eleições; havia mapas de prédios e manual de explosivos

Operação Rede Interrompida cumpriu mandados em cinco estados após investigação identificar grupo que disseminava conteúdos extremistas e discutia possíveis ações violentas nas eleições
Operação Rede Interrompida apreendeu armas e bandeira confederada, associada a extremistas racistas - Foto reprodução Correio Braziliense - PCDF
Operação Rede Interrompida apreendeu armas e bandeira confederada, associada a extremistas racistas - Foto reprodução Correio Braziliense - PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cumpriu, nesta terça-feira (4), oito mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrar uma rede extremista que atuava pela internet para disseminar conteúdos neonazistas, antissemitas e misóginos, recrutar novos integrantes e discutir a realização de ações violentas durante as eleições desse ano.

Conversas citavam Brasília como destino nas eleições

Durante a investigação, os policiais identificaram conversas que mencionavam Brasília como destino de uma mobilização prevista para o período das eleições de 2026.

A operação foi batizada de “Rede Interrompida”, e integra um conjunto de investigações apoiadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) voltadas ao enfrentamento da misoginia digital e dos crimes de ódio praticados em ambientes virtuais.

Mandados foram cumpridos em cinco estados

Os alvos da operação têm entre 19 e 31 anos e estão localizados nos estados de:

  • Santa Catarina
  • Paraná
  • São Paulo
  • Pernambuco
  • Rio Grande do Sul

Força-tarefa reuniu polícias, Senasp, Abin e Ministério Público

As ordens judiciais foram executadas com o apoio das Polícias Civis desses estados, além do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do CyberGAECO do Ministério Público de Santa Catarina e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A investigação é conduzida pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento da PCDF.

Grupo usava Telegram para recrutar integrantes e disseminar discursos de ódio

Segundo a apuração, o grupo utilizava comunidades no aplicativo Telegram para compartilhar conteúdos extremistas, difundir discursos de ódio e organizar o recrutamento de participantes.

A investigação começou após o recebimento de um relatório técnico produzido pelo CIBERLAB, que levou à instauração de um inquérito policial para aprofundar a análise das atividades dos investigados.

Policiais encontraram discussões sobre possíveis ataques

Entre as provas analisadas estavam conversas sobre invasão de prédios públicos, definição de possíveis alvos, treinamento tático, recrutamento de integrantes em diferentes estados, além do compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios localizados na região central de Brasília.

Material incluía instruções para fabricação de explosivos

Também foram encontrados manuais com instruções para a fabricação de artefatos explosivos.

As buscas têm como objetivo preservar provas, recolher equipamentos eletrônicos, identificar possíveis conexões ainda desconhecidas entre os envolvidos e esclarecer o nível de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas pelo grupo.

Enquadramento na Lei de Terrorismo ainda não ocorreu

Segundo informou a PCDF ao jornal Correio Braziliense, até o momento, a investigação apura, em tese, os crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo (nº7.716/1989).

A Polícia Civil explicou também que os fatos ainda não foram enquadrados na Lei de Terrorismo, e a eventual responsabilização individual dependerá da análise pericial do material apreendido e da conclusão do inquérito, que segue sob sigilo.


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