12 de fevereiro de 2026
FRAUDE PROCESSUAL

Polícia conclui que funcionários da Equatorial manipularam perícia no ‘caso João Victor’ em Anápolis

Delegada aponta no inquérito que dupla agiu de forma deliberada para eximir empresa e culpar o município pela tragédia
Garoto João Victor Gontijo Oliveira morreu aos 10 anos, após tomar choque em poste. (Foto: Arquivo pessoal)
Garoto João Victor Gontijo Oliveira morreu aos 10 anos, após tomar choque em poste. (Foto: Arquivo pessoal)

A Polícia Civil indiciou um gerente e um técnico em segurança da Equatorial Goiás em Anápolis por fraude processual no caso da morte do menino João Victor Gontijo, de 10 anos. O caso teve grande repercussão na cidade e aconteceu em 19 de setembro do ano passado. O garoto foi eletrocutado após ter contato com um fio.

À época, a perícia apontou que a fiação responsável por matar a criança tinha identificação da prefeitura de Anápolis. Depois da investigação, contudo, a delegada Aline Martins Cardoso, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), conclui que os funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviço à distribuidora foram ordenados a cortar o cabo responsável pelo choque antes da chegada da perícia policial.

No inquérito, a delegada afirma que os indiciados determinaram o corte do cabo assim que souberam da tragédia. A alegação era que o cabo, energizado, poderia provocar novos acidentes no local.

Todavia, os funcionários entregaram outro cabo, com uma identificação da Prefeitura de Anápolis, a fim, segundo a investigação, de isentar a empresa de responsabilidade e culpar o município.

“Conforme registrado expressamente no documento pericial, em razão de declarações prestadas por colaboradores da Equatorial Goiás se afirmou, de forma inverídica, que um cabo identificado com plaquetas da Prefeitura de Anápolis teria sido o responsável pela energização e consequente eletroplessão da vítima”, indica o documento.

O técnico da terceirizada, em depoimento à polícia, admitiu ter cortado os fios a mando de superiores hierárquicos.

O inquérito conclui que os indiciados “foram os autores intelectuais da conduta delituosa, tendo ordenado expressamente aos funcionários da empresa terceirizada que realizassem intervenções na cena do crime antes da perícia oficial e que entregassem aos peritos o cabo falso com identificação da Prefeitura Municipal”.

O que diz a empresa

Em nota, a Equatorial Goiás informou que “não teve acesso nem tomou conhecimento formal de qualquer indiciamento relacionado ao caso mencionado, uma vez que o procedimento investigativo tramita sob segredo de justiça e não houve, até o momento, qualquer comunicação oficial às partes ou à companhia por parte das autoridades competentes”.

A distribuidora também lamentou o ocorrido com João Victor e afirmou que, desde a ocorrência, “atua de forma colaborativa e transparente, prestando todos os esclarecimentos solicitados pelos órgãos responsáveis em todas as etapas da apuração, tanto durante a investigação técnica quanto no curso do inquérito policial, sempre com absoluto respeito às instituições e aos trâmites legais”.

A concessionária ainda ressaltou que “somente após eventual acesso regular aos autos poderá avaliar a veracidade, o contexto e o conteúdo de informações divulgadas indevidamente, bem como adotar as medidas jurídicas cabíveis, caso necessário”.


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