A Polícia Civil está realizando na manhã desta quinta-feira (12) uma operação coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap) contra um esquema de fraude de documentos públicos usados para registrar de forma ilegal lotes públicos situados no Jardim Atlântico, em Goiânia.
Conforme reportagem da Tv Anhanguera, as fraudes teriam ocorrido durante a gestão passada na Prefeitura de Goiânia. Em entrevista, a delegada Tatiana Barbosa, da Dercap, informou que foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Abadia de Goiás.
As investigações apontaram que um ex-servidor público, junto com outras pessoas, cujos nomes não foram divulgados, são os suspeitos de participar do esquema que falsificava os documentos.
Os terrenos do Jardim Atlântico teriam sido registrados em um Cartório de Registro de Imóveis de Goiânia, utilizando uma certidão de regularização fundiária falsificada. Segundo a delegada, a certidão usada pelos suspeitos continha assinaturas adulteradas como se fossem de autoridades municipais.
A Polícia avalia que os imóveis alvos do grupo somam um valor de R$ 1,3 milhão, aproximadamente. Ainda segundo a reportagem, durante a operação, a Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, a quebra de sigilo bancário, fiscal e de dados eletrônicos de seis investigados para aprofundar as investigações.
Durante os mandados de busca e apreensão foram apreendidos celulares, computadores e documentos que serão periciados. A Polícia Civil segue investigando para saber se outras pessoas estão envolvidas no esquema.
À tv, Carlos Alberto da Silva, conhecido como Carlim Café, que era o secretário municipal de Regularização Fundiária na Prefeitura de Goiânia durante a gestão passada, afirmou que foi ele quem denunciou as irregularidades à Polícia Civil em janeiro de 2023. A denúncia foi após serem identificadas certidões com assinaturas falsificadas dele, do então chefe jurídico da pasta e do ex-prefeito Rogério Cruz. Disse ainda que sempre atuou com transparência e que tem interesse na rápida elucidação do caso.
Também o ex-prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, se manifestou afirmando que a regularização fundiária foi tratada como prioridade durante a gestão dele e os processos seguiram critérios técnicos. Além disso, ele enfatizou que não é investigado no caso que apura fraude no registro de lotes públicos, e que confia no trabalho da Polícia Civil.
Outra operação
A operação desta quinta foi a segunda que a Polícia Civil realizou na mesma semana envolvendo possíveis irregularidades cometidas por servidores da Prefeitura durante a gestão anterior. Na terça-feira (10) foram presos dois ex-servidores da prefeitura, suspeitos de fraudar um contrato de compra de tinta inseticida, ao custo de R$ 4,4 milhões. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 2,7 milhões.
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