A Polícia Civil de Goiás informou, por meio de nota oficial enviada ao Diário de Goiás, nesta segunda-feira (20), que encaminhou o caso envolvendo um delegado e uma advogada à Superintendência de Correições e Disciplina. Segundo a corporação, o objetivo é garantir a “escorreita apuração” dos fatos e adotar as providências cabíveis.
A manifestação ocorre em meio à repercussão de um episódio iniciado na última quarta-feira (15), quando o delegado deu voz de prisão à advogada Áricka Rosália dentro do próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás. A detenção ocorreu após a profissional publicar críticas nas redes sociais sobre o arquivamento de uma ocorrência conduzida pelo policial. Ela foi algemada sob acusação de difamação e liberada após pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil.
Na nota, a Polícia Civil reforça que o caso já está sob análise da área correcional, responsável por investigar eventuais desvios de conduta de servidores. A abertura de procedimento indica que a atuação do delegado será examinada sob o ponto de vista disciplinar. A corporação não detalhou prazos nem possíveis medidas, mas destacou que a apuração seguirá os trâmites legais.
Decisão judicial e atuação da OAB
O episódio ganhou novos desdobramentos no fim de semana, quando a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás obteve um habeas corpus preventivo em favor da advogada. A decisão, proferida pelo juiz Samuel João Martins, impede o delegado de atuar em casos que envolvam diretamente a profissional.
A OAB-GO e a Ordem dos Advogados do Brasil classificaram a prisão como arbitrária, apontando possíveis violações à liberdade de expressão e às prerrogativas da advocacia.
Vídeos e novas declarações
A tensão aumentou após a divulgação de um vídeo nesta segunda-feira (20), nas redes sociais, em que o delegado afirma que pretende apresentar novas provas e cita investigações mais amplas, incluindo possíveis crimes como tráfico de drogas. Ele também rebateu informações sobre um eventual afastamento e afirmou que o procedimento envolvendo a advogada já teria sido concluído com indiciamento.
Em uma das declarações, o policial afirmou que pretende “materializar as provas” e disponibilizá-las à imprensa, além de fazer críticas a opositores de sua atuação.
Denúncias de monitoramento
Outro ponto que passou a ser analisado envolve a suspeita de monitoramento da advogada por meio de drones, sem autorização judicial. A defesa levou o caso ao Judiciário, que acolheu parcialmente as alegações ao considerar possível violação de privacidade e de domicílio.
O delegado nega a prática. O tema também foi comunicado às autoridades e pode integrar o conjunto de fatos apurados internamente.
Confira a nota da Polícia Civil na íntegra:
NOTA
“A Polícia Civil de Goiás informa que o fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido.”
Gerência de Comunicação da Polícia Civil de Goiás
Goiânia, 16 de abril de 2026
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