Na noite de terça-feira (7), o Palácio do Planalto divulgou uma nota, dizendo “repudiar” a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública realizada para discutir a imposição de tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil.
Segundo o governo, entre os 34 brasileiros inscritos para se manifestar na audiência, quase todos representantes de setores do mercado, Flávio foi o único que politizou e “não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro”.
No comunicado, a Presidência acusou o pré-candidato de “traição à Pátria” e disse que “divergir do governo é legítimo”, mas que “há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro”.
Foi uma reação a Flávio ter participado na manhã da mesma terça, do segundo e último dia da audiência organizada pelo USTR – sigla em inglês para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos -, órgão que conduz a investigação aberta contra o Brasil, e que sugeriu a aplicação de uma tarifa sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor a partir de 15 de julho.
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Além disso, a nota aponta que Flávio “não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil” e que deixou de rebater as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das tarifas. O irmão dele, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro chegou a divulgar vídeos comemorando o primeiro tarifaço e assumindo que pediu a medida ao governo dos EUA.
De acordo com o comunicado, “o governo brasileiro negocia ininterruptamente com os Estados Unidos desde julho de 2025 para reverter as tarifas aplicadas injustificadamente contra o Brasil”.
No meio político, a participação de Flávio Bolsonaro repercutiu mal, inclusive na direita. Embora a equipe do senador tenha adotado discurso nas redes de que ele foi à reunião ocupando suposta lacuna do governo brasileiro, os argumentos usados na participação dele na audiência apenas reiteraram que o motivo está ligado às eleições e não há rejeição do presidenciável à aplicação injusta de tarifas, nem aos riscos oferecidos ao Pix. O perigo desse contexto de ameaça virar realidade em eventual eleição do bolsonarista passou a ser temido inclusive na Faria Lima.
Em termos econômicos, o governo tem explicado que a reunião não era um espaço técnico e diplomático adequado para participação. O que está previsto são duas rodadas de entendimento entre os setores oficiais de comércio dos dois países antes do dia 15, prazo em que o tarifaço deve entrar em vigor. O governo deverá, entre outras coisas, alertar formalmente os EUA de que alguns produtos brasileiros não têm substituição e que os impactos serão também para os consumidores norte-americanos.
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