10 de julho de 2026
RISCO À SOBERANIA

Pix: novas tarifas dos EUA agora ameaçam pagamento eletrônico e colocam Flávio Bolsonaro em “saia justa”

Investigação comercial dos Estados Unidos cita Pix, comércio digital e outras práticas; medida pode entrar em vigor em julho
Presidente dos EUA determinou novo tarifaço após visita de Flávio Bolsonaro - Foto: reprodução rede X
Presidente dos EUA determinou novo tarifaço após visita de Flávio Bolsonaro - Foto: reprodução rede X

O Brasil amanheceu com a notícia de que sua principal ferramenta de pagamentos, o Pix, é um dos alvos das novas sanções do governo dos Estados Unidos, vindas poucos dias depois de mais uma visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao presidente Donald Trump. Na quinta-feira (28), a pedido do senador, os EUA classificaram as facções PCC e Comando Vermelho como terroristas, baixando medidas que anteviam intervenções. E elas já vieram.

Trump anunciou na segunda-feira (1º) que poderá taxar importações brasileiras com uma nova tarifa punitiva de 25%. A alegação é de que algumas práticas do Brasil são desleais.

Pix na mira dos EUA

Dentre as práticas citadas, estão o comércio digital, pagamentos eletrônicos como o Pix até o desmatamento ilegal. Alguns itens como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves estão excluídos da nova tarifa – que poderá entrar em vigor em 15 de julho.

A justificativa para aplicar a medida é uma investigação, aberta em julho de 2025, pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que concluiu que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano.

O relatório final da investigação prevê a imposição de “tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Tendo por base essa possibilidade, o representante de comércio dos EUA propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre todos os bens do Brasil”.

A punição com a taxação extra, no entanto, prevê algumas exceções para produtos que poderiam causar “disrupções” em toda a economia caso fossem submetidos a tarifas adicionais; além de “determinados produtos que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos, nem obtidos de outras fontes”. Ou seja, as medidas fazem exceções focadas no interesse interno dos EUA.

Dentre as exceções estão frutas e nozes, petróleo bruto e derivados, compostos farmacêuticos, produtos químicos orgânicos e fertilizantes. Também estão isentas a carne bovina, o café, terras raras, certos metais e minérios, além de aeronaves e peças de aeronaves brasileiras.

Seção 301 da Lei de Comércio

A decisão do USTR foi anunciada na noite de segunda-feira e tem por base termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974, explica reportagem da Agência Brasil desta terça.

“A investigação avaliou práticas nas áreas de comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix; concessão de tarifas preferenciais; proteção de propriedade intelectual; combate à corrupção; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

O USTR afirma que, nesses pontos, há prejuízo para empresas e exportações dos EUA. Como consequência, o governo americano abriu consulta pública sobre possíveis medidas corretivas.

Segundo a reportagem, o processo inclui envio de comentários até 1º de julho e audiência pública em 6 de julho, enquanto seguem as negociações com o governo brasileiro. O prazo legal para a eventual adoção da nova tarifa é 15 de julho de 2026.

A investigação já ouviu mais de 30 testemunhas e quase 300 manifestações.

Embaixador fala em divergência e diálogo com Lula

Segundo o embaixador estadunidense Jamier Greer, a investigação começou a pedido do presidente Donald Trump que alegou preocupações antigas e generalizadas dos EUA com certas políticas e práticas comerciais do Brasil.

“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, afirmou Greer.

“Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, acrescentou, segundo a Agência Brasil.

Novo desgaste

Em entrevista a uma rádio de Minas Gerais, Flávio Bolsonaro tentou se desvencilhar do desgaste do novo tarifaço dizendo que pediu que isso não ocorresse. Indicando, porém, que, se pediu, ele não tem influência alguma sobre Trump, e assim o senador e pré-candidato à Presidência soma mais esse desgaste recente.

Sua viagem aos EUA já tinha sido interpretada como tentativa de desviar o foco do escândalo de ter pedido R$ 61 milhões ao banqueiro investigado Daniel Vorcaro. Além disso, analistas alertaram desde o pós-visita que seus pedidos sobre as facções criminosas eram risco à soberania nacional e o próprio irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro disse que viriam novas sanções colando a imagem dos bolsonaro a essas novas sanções.


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