29 de fevereiro de 2024
PICANHA DA DISCÓRDIA • atualizado em 12/12/2023 às 17:35

“Picanha mito”: PSDB e Cidadania vão ao TSE contra decisão de não cassar senador Wilder Morais

Federação vai à instância superior tentando reverter decisão local; partidos insistem que senador foi favorecido com picanha de R$ 22 ligada a Bolsonaro, aliado de Wilder
Presidente do PSDB Nacional, ex-governador Marconi Perillo ficou atrás de Wilder na votação - Foto: Divulgação / Redes sociais
Presidente do PSDB Nacional, ex-governador Marconi Perillo ficou atrás de Wilder na votação - Foto: Divulgação / Redes sociais

A Federação PSDB-Cidadania anunciou nesta terça-feira (12) que vai recorrer junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra decisão do pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) que negou o pedido de cassação do senador Wilder Morais (presidente estadual do PL). O julgamento ocorreu na segunda-feira (11).

O caso está relacionado à chamada promoção “picanha mito”, ocorrida nas eleições passadas, associando o número do PL, 22, ao quilo do produto, vendido muito abaixo do mercado em plena eleição e com material publicitário retratando o ex-presidente Jair Bolsonaro, também do PL e aliado de Wilder em Goiás.

Os juízes e desembargadores questionaram bastante a campanha, mas não viram provas ligando o senador eleito à promoção nos autos do processo. Observaram também que a campanha se dirigiu diretamente ao candidato à reeleição para a presidência.

Ilícito foi reconhecido, diz coligação

Pelas redes sociais, a federação entendeu que “houve o reconhecimento da prática de ilícito eleitoral, mas considerou-se que o benefício ao candidato ao cargo de senador não teria sido claramente demonstrado.”

O principal interessado na ação é o ex-governador Marconi Perillo, hoje presidente nacional do PSDB. Ele ficou em segundo lugar na disputa de cadeira para o Senado Federal, perdendo para Wilder Morais que recebeu 799 mil votos, contra 626 mil do tucano.

Parceria com Bolsonaro


“É certo que a promoção “picanha do mito” se inclui no extenso rol de ilícitos eleitorais cometidos em favor do ex-presidente. Não se pode negar, contudo, que foi de extrema gravidade a conduta encetada, sendo óbvio que a medida lícita favoreceu o candidato a senador, pois, afinal, foi ele o grande parceiro de Bolsonaro nas eleições de 2022 em Goiás.”, insiste a Federação.

Confiança do TSE


Por fim, a coligação observou que o TSE tem, há muito tempo, postura severa contra desvios dos candidatos, relativamente em relação ao abuso do poder econômico e à compra de votos. “Assim, confiantes na Justiça Eleitoral, a Federação buscará no TSE a correta aplicação da lei, certo de que dessa forma, prevalecerão a lei e a Justiça.”

Como mostrou o Diário de Goiás na segunda-feira, a defesa do senador Wilder destacou o entendimento do TRE-GO “de que a referida promoção não teve influência decisiva nos resultados eleitorais”.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.