Quatro empresários foram presos pela Polícia Federal em operações que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo organizações sociais (OSs) responsáveis pela gestão de unidades de saúde em Goiás. A investigação também envolve a Controladoria-Geral da União (CGU).
Há mandados de prisão, conforme o Jornal O Popular, para Hilton Rinaldo Salles Piccelli, Rudson Teodoro da Silva e Roberto Leandro Carvalho, da Mediall Brasil, e Otávio Guimarães Favoreto, da Lifecare, mas com ligações com a Mediall.
A operação mira supostos esquemas das OSs Agir e Instituto Brasileiro de Gestão Hospitalar (IBGH). Ambas tiveram ou têm contratos para administrar unidades de saúde no estado.
Entre os crimes investigados estão peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e ainda irregularidades nos processos de licitação que selecionam as empresas prestadoras de serviços. A suspeita é de que houve direcionamento e simulação de concorrência.
As operações foram intituladas Makot Mitzrayim e Rio Vermelho. Ao todo, são cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Tocantins, Maranhão e Distrito Federal, além de Goiás.
A Makot Mitzrayim tem como objetivo apurar um suposto desvio de recursos públicos a partir do que os investigadores classificam como “quarteirização e quinteirização” de contratos realizados pela Agir e pelo IBGH. Há indícios de superfaturamento que beneficiariam fraudadores ligados às OSs e pagamento de servidores públicos que fiscalizam os contratos.
Já a operação Rio Vermelho mira irregularidades na administração de recursos do Hospital de Campanha contra a Covid-19, que foi feita pela Agir. Há indício de lucros indevidos em contratações.
Posicionamentos
A Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) disse que “colabora integralmente” com a PF e CGU nas investigações. Segundo a SES-GO, “foram criados controles rigorosos para combater desvios” e cita como exemplo a Subsecretaria de Controle Interno e Compliance e com atuação de um delegado da Polícia Civil dentro do gabinete para apurar qualquer indício de mau uso do dinheiro público. “A Secretaria tem como premissa contribuir com investigações e segue à disposição das autoridades”, frisa.
Por sua vez, a Agir diz que “tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo todos os documentos e acessos solicitados” e afirma que todas as contas do período da pandemia foram aprovadas pela CGU. “A Agir ainda ressalta que seus processos são submetidos a rigorosos controles internos e auditorias constantes, visando sempre a eficiência e a correta aplicação dos recursos públicos e que os processos ocorridos no contexto de pandemia visaram salvar vidas por meio de imediata execução de atendimentos aos contaminados pela Covid-19, com atendimentos e contratações compatíveis com valores de mercado”, diz a nota.
Já a Mediall Brasil declarou, em nota enviada ao Diário de Goiás (confira texto completo ao final da reportagem), que mantém “compromisso com a ética, a transparência e a conformidade em todas as suas operações” e informou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A empresa também destacou que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus aos diretores investigados, determinando a revogação das prisões. Segundo a Mediall, a decisão considerou, em análise preliminar, a “desproporcionalidade das medidas adotadas”, além da ausência de elementos contemporâneos que justificassem a manutenção das detenções.
No comunicado, a Mediall sustentou ainda que suas operações seguem “em plena normalidade” e sem interrupções nos contratos vigentes. A companhia declarou confiar que, ao longo do processo, será demonstrada “a inexistência de qualquer irregularidade ou responsabilidade criminal” relacionada às atividades desenvolvidas pela instituição.
O IBGH ainda não se pronunciou.
Confira a nota completa da Mediall Brasil:
“A Mediall Brasil informa sobre os desdobramentos das operações conduzidas pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União nesta semana.
Desde o primeiro momento, a empresa reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a conformidade em todas as suas operações, colocando-se integralmente à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários.
No âmbito das investigações, destaca-se que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) concedeu habeas corpus aos diretores envolvidos, determinando a REVOGAÇÃO DAS PRISÕES E A CONCESSÃO DA LIBERDADE. A decisão reconhece, em análise preliminar, a desproporcionalidade das medidas adotadas, especialmente diante da ausência de elementos concretos e contemporâneos que justificassem a manutenção das prisões.
A Mediall Brasil recebe essa decisão com serenidade e confiança, entendendo que ela reafirma a necessidade de que os fatos sejam apurados com equilíbrio, responsabilidade e estrita observância das garantias legais.
A empresa reitera que seus diretores e sua atuação institucional sempre estiveram pautados pela legalidade, pela ética e pela transparência, e confia que, ao longo do processo, será plenamente demonstrada a inexistência de qualquer irregularidade ou responsabilidade criminal relacionada às atividades desenvolvidas.
Paralelamente, a Mediall Brasil mantém sua postura de total colaboração com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários ao adequado andamento das investigações.
A empresa ressalta que suas operações seguem em plena normalidade em todos os contratos vigentes, sem qualquer interrupção dos serviços prestados. As atividades assistenciais e administrativas continuam sendo executadas com responsabilidade, qualidade e compromisso com a população atendida, bem como com os entes públicos contratantes e parceiros institucionais.
A Mediall Brasil seguirá acompanhando o caso com responsabilidade institucional, mantendo seus colaboradores, parceiros e a sociedade informados por meio de seus canais oficiais.
A Mediall Brasil segue firme em seu propósito de contribuir para a gestão e o fortalecimento dos serviços de saúde, com responsabilidade institucional e respeito às normas legais.
Mediall Brasil”
*Matéria atualizada em 12.05.2026, às 9h54, com posicionamento da Mediall Brasil
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