21 de julho de 2026
NOVA FASE • atualizado em 18/06/2026 às 12:46

PF mira Jaques Wagner na Operação Compliance Zero; apreendidos dólares e relógios

Nova fase investiga fraudes com o Banco Master e repasses de R$ 11 milhões via empresa de enteada do senador
Dólares e relógios apreendidos em imóvel ligado ao senador Jaques Wagner na Bahia - Foto divulgação PF
Dólares e relógios apreendidos em imóvel ligado ao senador Jaques Wagner na Bahia - Foto divulgação PF

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), envolvendo o Banco Master, agora chegou ao senador Jaques Vagner (PT-BA), político próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta nona fase, o principal alvo é o senador que é o líder do governo no Senado e ex-governador da Bahia. Mas o ministro André Mendonça, relator do caso, negou buscas  no gabinete e no escritório político do senador, citando falta de elementos suficientes, segundo a revista Veja.

A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT na Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e a suposta participação de Wagner no esquema.

Senador Jaques Wagner foi um dos alvos da operação desta quuinta-feira – Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil


Segundo a rádio CBN e o portal Terra, a PF apreendeu US$ 49 mil (cerca de R$ 253 mil) e 13 relógios em um dos endereços de Wagner nesta quinta-feira.

Outros alvos

Em fases anteriores, a PF já mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Esta semana, o presidente da Câmara Hugo Motta (MDB-PB) também foi citado em investigação por suspeita de solicitar ao ex-dono do Banco Master empréstimos para uma empresa da família de sua esposa, além de pagamento de viagens.

Ainda segundo o Terra, Wagner teria recebido pagamentos do Banco Master durante anos pela empresa da enteada Bonnie Bonilha, através de um contrato de consultoria que totalizou R$ 11 milhões em recebimentos. Ele também teria viajado com frequência em jatos de Daniel Vorcaro e recebeu um apartamento de presente em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, segundo investigação da PF. 

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços do senador, e também do empresário Augusto Lima. Ex-sócio de Vorcaro, ele arrematou a rede baiana de supermercados Cesta do Povo, em 2018, que era a antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), privatizada pelo sucessor de Wagner, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa. 

No Estado, Lima também implementou um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master, o Credcesta.

O empresário chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo o portal, Lima é influente na Bahia com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.

O jornal O Globo tinha revelado no ano passado que, tanto o grupo petista da Bahia, liderado por Wagner, quanto o grupo de ACM Neto (UB) fecharam um acordo para deixar o caso fora da disputa eleitoral no Estado. Na ocasião, nenhum dos políticos quis se manifestar sobre o assunto. Em março último, o jornal revelou que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da gestora de recursos Reag, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia disse que os valores são referentes a serviços de consultoria. 

Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre a operação desta quinta. O senador é investigado por crimes de corrupção passiva, de corrupção ativa e de lavagem de dinheiro.


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