A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (2), a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Operação Galho Fraco II, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos utilizados para custear despesas parlamentares. Goiás está entre os estados onde são cumpridas medidas judiciais autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado do Distrito Federal e de Minas Gerais.
De acordo com a PF, foi encontrado dinheiro em espécie escondido dentro de um livro falso, em endereço de um advogado que está na lista de alvos de mandados de busca e apreensão.
Esta etapa da investigação busca reunir novos elementos de prova sobre possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. As diligências têm como objetivo identificar a movimentação dos recursos públicos e eventuais tentativas de ocultação de patrimônio ou alteração de provas.
Apesar das buscas realizadas em Goiás, a PF não divulgou quantos mandados foram cumpridos no estado nem informou os municípios onde ocorreram as diligências. A corporação também não revelou a identidade dos investigados que são alvo das medidas em território goiano e qual o nível de envolvimento deles.
Advogados ligados a Sóstenes estão entre os alvos
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, os principais alvos desta fase são advogados ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara dos Deputados. A investigação, entretanto, não tem como alvo o parlamentar nem qualquer outra autoridade com foro privilegiado nesta etapa.
Entre os investigados estão pessoas que teriam realizado saques em dinheiro relacionados aos R$ 468,7 mil encontrados pela PF durante uma operação realizada em dezembro do ano passado em um endereço ligado ao deputado.
Na ocasião, Sóstenes afirmou que o dinheiro era proveniente da venda de um imóvel localizado em Minas Gerais. Essa versão continua sendo analisada pelos investigadores.
Suposto esquema com empresas
A Polícia Federal informou que há indícios de um esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas supostamente utilizadas para conferir aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos.
Segundo a corporação, também existem indícios de tentativas de ocultação ou alteração de provas, circunstância que pode configurar fraude processual.
Durante o cumprimento dos mandados desta nova fase, a PF divulgou imagens mostrando dinheiro escondido em caixas e relógios de luxo, material que foi apreendido durante as buscas.
Investigação começou em 2025
As investigações tiveram início na primeira fase da Operação Galho Fraco, deflagrada em dezembro de 2025.
Na ocasião, os deputados federais Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), além de assessores, funcionários do partido e pessoas próximas aos parlamentares, foram alvo de mandados de busca e apreensão.
A suspeita era de que recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) teriam sido desviados por meio da contratação de empresas de fachada, especialmente uma locadora de veículos, utilizada para justificar despesas pagas com dinheiro público.
Conforme a linha de investigação, contratos de locação de veículos teriam servido para dar aparência de legalidade ao desvio das verbas parlamentares.
Nova fase aprofunda apurações
Segundo a Polícia Federal, a terceira fase da Operação Rent a Car concentra esforços para esclarecer como os recursos foram movimentados, quem recebeu os valores e qual foi a destinação final do dinheiro.
As diligências realizadas em Goiás fazem parte dessa etapa de aprofundamento das investigações e de preservação de provas que poderão subsidiar os próximos desdobramentos do inquérito no Supremo Tribunal Federal.
Leia mais sobre: Lavagem de Dinheiro / Operação Rent a Car / PL / Polícia Federal / Sóstenes Cavalcante / Política

