A imagem do governo Lula melhorou e sua aprovação voltou a crescer, revela a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10). Mas o presidente ainda governa sob um eleitorado dividido com 47% dos brasileiros aprovando a gestão do petista, e 48% desaprovando. Outros 5% não souberam ou não responderam.
O resultado representa uma melhora em relação aos meses anteriores. Em abril, a desaprovação havia chegado a 52%, contra 43% de aprovação. Em maio, o índice de aprovação subiu para 46%, e a desaprovação recuou para 49%. Agora, os dois indicadores aparecem praticamente empatados.
A recuperação tem reflexos também na avaliação qualitativa do governo que, igualmente, mostra melhoria. Os que consideram a gestão Lula positiva somam 34%, mesmo patamar de maio. Já a avaliação negativa caiu de 42% em abril para 39% em maio e 38% em junho. Outros 26% avaliam o governo como regular.
A combinação dos dados indica um governo menos desgastado do que no início do segundo trimestre, embora ainda sem aprovação majoritária e com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na cola, recuando três pontos, mas em segundo lugar.
Flávio não é mais visto como moderado
Por outro lado, a pesquisa mostra que o senador tem sido cada vez mais visto como menos moderado que a sua família. Ou seja, está frustrada a tentativa de Flávio se mostrar como alguém mais moderado que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e seus irmãos Carlos e Eduardo, estratégia que marcou os primeiros meses de pré-campanha do senador.
A rodada da Quaest mostra que, para 50%, ele não é mais moderado que sua família, ante 47% no mês passado. O porcentual dos que o consideram mais moderado caiu de 39% em maio para 33% em junho, variação fora da margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.
E entre os eleitores independentes, que não se consideram de direita nem de esquerda, a queda de Flávio é ainda mais significativa. O senador era visto como mais moderado que a família por 37% desses eleitores em abril; agora, apenas 23% o veem assim.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontra algum alívio, com melhoras nos indicadores de popularidade e de intenção de voto. Reflexo disso, quando perguntados sobre o que teriam mais medo, 44% dos eleitores disseram que temem mais a volta da família Bolsonaro ao poder. É o mesmo porcentual do mês passado. Para 40%, o maior receio é de Lula continuar mais quatro anos na Presidência. Em maio, eram 42%.
A rodada da pesquisa veio depois de várias medidas e pacotes impactantes do governo, tais como a nova faixa de isenção do Imposto de Renda – que beneficiou diretamente 32% dos entrevistados ou suas famílias – o Desenrola 2.0, e programas para crédito para motoristas de aplicativos.
Mas o levantamento também veio depois de revelada a ligação íntima entre a família Bolsonaro e dois assuntos delicados para os brasileiros: o escândalo do Banco Master – com Flávio pedindo dinheiro a um banqueiro investigado e já monitorado com tornozeleira -, e a visita do senador ao presidente dos Estados Unidos que culminou com a classificação de duas facções criminosas atuantes no país como sendo terroristas, o que no Brasil se enquadra quando há viés político e tentativa armada de tomar o poder, e depois o novo tarifaço que ameaça até o Pix, “queridinho” dos brasileiros.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que a circulação de notícias positivas sobre o governo Lula continua aumentando. A melhora desse ambiente informativo ajuda a explicar a recuperação da aprovação e a vantagem do presidente nas simulações eleitorais, embora a pesquisa mostre que o governo ainda não superou resistências estruturais em grupos importantes do eleitorado.
Dados da pesquisa
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada pela Quaest entre os dias 5 e 8 de junho. Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.
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