08 de agosto de 2022
Efeitos Colaterais

Pesquisa constata efeitos da vacina sobre a menstruação

Estudo apontou que a vacina contra covid-19 aumentou o fluxo menstrual das mulheres duas semanas após vacinação
Estudo demonstrou aumento de fluxo menstrual em 42% das mulheres participantes. Foto: Ênio Medeiros
Estudo demonstrou aumento de fluxo menstrual em 42% das mulheres participantes. Foto: Ênio Medeiros

Um estudo com mais de 35 mil participantes – mulheres e pessoas transgênero – indicou que 42% das mulheres apresentou um aumento do fluxo menstrual nas duas semanas seguintes à vacinação contra a covid-19.

A pesquisa, além disso, descreve pela primeira vez a aparição de sangramento espontâneo em um alto número de pessoas que não tinham menstruação – por estarem na menopausa ou por fazerem algum tratamento hormonal contraceptivo para mudança de gênero – após a aplicação de imunizante.

As conclusões do estudo, publicadas no fim da semana passada na revista Science Advances, confirmam um efeito secundário que vinha sendo alertado por mulheres e ignorado até então. Os dados da pesquisa mostram, contudo, que as alterações são temporárias e estão associadas a determinados fatores desencadeantes, como a idade, efeitos secundários sistêmicos associados à vacina (febre ou fadiga), ou o histórico de gravidez e partos, entre outros.

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“As pessoas que menstruam, e as que antes menstruavam, começaram a comentar que tinham um sangramento inesperado, depois que era administrada a vacina, no início de 2021”, indicaram as responsáveis pelo estudo, Katharine Lee, da Universidade de Tulane; e Kathryn Clancy, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign.

As participantes haviam sido vacinadas com produtos da Pfizer, Janssen, AstraZeneca, entre outras marcadas usadas no exterior.

Uma das pesquisadoras chegou até a compartilhar a própria experiência no Twitter em fevereiro do ano passado. Kathryn relatou, após tomar a 1ª dose, que sua menstruação havia chegado aproximadamente um dia mais cedo e estava “jorrando como quando ela estava em seus 20 anos de novo”. Várias outras mulheres responderam.

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Testes

Nos testes clínicos das vacinas, não se perguntava sobre os ciclos menstruais ou hemorragias, por isso, o efeito secundário acabou sendo ignorado ou descartado, apesar de alguns imunizantes, como os contra a febre tifoide, a hepatite B, entre outros, possam alterar o fluxo menstrual.

As pesquisadoras só incluíram dados de pessoas que não tinham sofrido a covid-19, pois a doença pode provocar mudanças no fluxo menstrual.

Além disso, foram excluídas as pessoas de 45 a 55 anos, para evitar que os resultados fossem confundidos com a menopausa ou mudanças prévias.

Das entrevistadas, 42,1% disseram que tiveram fluxo menstrual mais abundante nas semanas após a vacinação; 43,6% indicaram que não houve alteração; e 14,3% apontaram que não tiveram mudança ou menos sangramento do que o habitual.

O estudo detectou possíveis associações com antecedentes reprodutivos, estado hormonal, demografia e mudanças na menstruação de uma pessoa após a vacinação. Por exemplo: mulheres que tinham passado por uma gravidez eram mais propensas a informar sobre sangramento mais abundante após a inoculação da vacina, com leve aumento entre as que não tinham dado a luz.

Efeitos

Algum nível de variação na menstruação – o número de dias que você sangra, a intensidade do seu fluxo e a duração do seu ciclo – é normal.

“Nossos ciclos menstruais não são relógios perfeitos”, disse ao jornal americano The New York Times Alison Edelman, professora de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon (EUA). Ela também estudou o efeito das vacinas covid-19 na menstruação.

É possível que, quando as vacinas ativam o sistema imunológico, também de alguma forma desencadeiem efeitos secundários no endométrio, segundo Alison. O endométrio reveste o útero e é expelido pelo corpo da mulher durante a menstruação.

As autoras do estudo publicado na Science Advances reafirmam ainda que a vacinação é uma das melhores formas de prevenir a covid-19, a internação e a morte pela doença. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Por Estadão Conteúdo)