12 de agosto de 2026
POLÍTICA

Perícia aponta foto de Flávio como autêntica e alerta para contrainformação com IA

Especialista em IA Forense submeteu a imagem a 13 testes técnicos, atribuiu alto grau de confiança à autenticidade do registro e alertou para estratégias de contrainformação
Perícia em IA Forense apontou alto grau de confiança na autenticidade da imagem e destacou que versões criadas por inteligência artificial podem ser usadas como estratégia de contrainformação. Foto: Reprodução/Redes Sociais.
Perícia em IA Forense apontou alto grau de confiança na autenticidade da imagem e destacou que versões criadas por inteligência artificial podem ser usadas como estratégia de contrainformação. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

Uma análise técnica solicitada pelo Diário de Goiás e realizada por um dos principais pesquisadores e peritos em Inteligência Artificial Forense do Brasil concluiu que há alto grau de confiança de que a fotografia que mostra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, seja autêntica. O especialista, que não quis ser identificado submeteu a imagem a 13 testes distintos, dos quais 11 apresentaram resultados compatíveis com uma fotografia real.

Segundo o laudo técnico, apenas dois testes levantaram indícios que poderiam gerar dúvidas sobre a autenticidade da imagem. No entanto, esses métodos são considerados especialmente sensíveis aos efeitos provocados pela compressão e recompressão de arquivos compartilhados em redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp.

Com base no conjunto das análises, o especialista atribuiu elevado grau de confiança técnica à hipótese de que a fotografia seja uma captura física real.

Especialista alerta para falsos positivos

O pesquisador também chamou atenção para um problema cada vez mais comum na era da inteligência artificial: os chamados falsos positivos, quando imagens verdadeiras são classificadas equivocadamente como conteúdo gerado por IA.

Segundo ele, diversos detectores automáticos disponíveis ao público podem apresentar erros ao analisar arquivos com baixa resolução, imagens muito comprimidas, editadas ou que passaram por sucessivos processos de salvamento e compartilhamento.

Por esse motivo, o especialista recomenda que casos de maior relevância sejam submetidos à análise de profissionais especializados em prevenção a fraudes e perícia em IA Forense, utilizando diferentes métodos de verificação em conjunto, e não apenas o resultado isolado de uma ferramenta automática.

Contrainformação pode gerar dúvidas sobre imagens reais

O pesquisador também explicou um fenômeno conhecido como contrainformação, estratégia utilizada para gerar confusão sobre a autenticidade de registros reais.

Como exemplo, citou episódios ocorridos durante a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo ele, imagens verdadeiras eram utilizadas como base para a criação de versões alteradas por inteligência artificial, que circulavam simultaneamente nas redes sociais.

O objetivo seria fazer com que diferentes ferramentas de detecção apresentassem resultados contraditórios, levando parte do público a questionar também a autenticidade da fotografia original.

“O problema é que uma ferramenta pode indicar que uma imagem foi gerada por IA, enquanto outra aponta que ela é real. Isso acontece porque, muitas vezes, estão sendo analisadas versões diferentes do mesmo registro”, explicou o especialista.

Ele ressalta que esse tipo de estratégia busca justamente criar dúvida e desacreditar evidências autênticas.

Foto foi questionada por Flávio Bolsonaro

A análise ocorre após Flávio Bolsonaro questionar a autenticidade da fotografia divulgada pelo portal ICL Notícias, na qual aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como integrante de uma organização investigada.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador afirmou não saber se a imagem é verdadeira e declarou que, caso seja, trata-se apenas de uma das inúmeras fotografias que costuma tirar com apoiadores e pessoas que o abordam em locais públicos.

O episódio reacendeu o debate sobre o uso de inteligência artificial, perícia digital e os desafios para verificar a autenticidade de imagens que circulam nas redes sociais.


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