15 de julho de 2026
ELEIÇÕEES 2O26 • atualizado em 09/07/2026 às 12:18

PDT aciona TRE-GO para barrar uso da imagem de Iris Rezende pelo PL e pede multa de R$ 50 mil/dia

Ação alega propaganda partidária irregular e pede retirada de conteúdos que associam o ex-governador ao PL; pedido tramita com urgência; filha diz que estranha a medida
Representação do PDT visa impedir uso da imagem do falecido Iris Rezende pelo grupo onde a filha está, que tem ideias opostas às dele - Foto reprodução
Representação do PDT visa impedir uso da imagem do falecido Iris Rezende pelo grupo onde a filha está, que tem ideias opostas às dele - Foto reprodução

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Goiás protocolou, na quarta-feira (8), representação no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) contra o Partido Liberal (PL), alegando prática de propaganda partidária irregular pelo uso da imagem e do legado político do ex-governador Iris Rezende – membro histórico do MDB e ícone político da democracia -, em materiais de divulgação partidária por legenda com bandeiras e candidatos de extrema-direita, embora a filha do político, Ana Paula Rezende, integre o grupo.

A ação foi distribuída sob o nº 0600557-69.2026.6.09.0000 e tramita com pedido de tutela de urgência e multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento da ordem judicial. 

A representação sustenta que o uso da imagem de Iris Rezende pelo PL cria uma associação político-partidária que, segundo o PDT, não corresponde à trajetória histórica do ex-governador. A peça jurídica argumenta que a propaganda teria potencial para induzir o eleitor a erro ao sugerir afinidade ideológica inexistente entre Iris e a legenda representada.

Citações polêmicas da filha

Embora não seja citada na representação, a filha de Iris Rezende, a advogada Ana Paula, é pré-candidata a vice-governadora de Wilder Morais, senador e candidato a governador de Goiás do PL esse ano. Ela deixou a base aliada do governo após ser preterida para um cargo de destaque e, ao integrar o grupo do PL, passou a citar o pai em situações polêmicas. Ela enviou nota ao Diário de Goiás dizendo que a representação causa “estranheza”. Leia a íntegra ao final.

Há alguns meses, ela divulgou carta aberta na qual convidava apoiadores do legado de Iris Rezende a caminharem juntos no PL, afirmando que o partido está aberto a todos que compartilham da visão política do pai. Mais recentemente a advogada comparou Iris com o ex-presidente Jair Bolsonaro que está preso por tentar um golpe de Estado e que defende a ditadura militar: “Mesmos princípios”.

Cassação pela ditadura

Entre os fundamentos apresentados na representação está justamente a cassação de Iris Rezende durante o regime militar, além de sua atuação na redemocratização do país e a participação dele no movimento Diretas Já. 

“Associar este homem, cuja biografia é um hino à democracia, ao partido que serviu de palco para o mais recente e grave ataque às instituições democráticas brasileiras desde a redemocratização – os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, cujos mentores e executores são investigados no âmbito do STF (Inq. 4.781, 4.874, entre outros) – é um ato de violência contra a história”, cita um trecho da representação.

Pedidos

O pedido requer, em caráter liminar, que o TRE-GO determine a retirada, em até 24 horas, de conteúdos que associem Iris Rezende ao PL, abrangendo materiais impressos, vídeos, redes sociais e demais meios de divulgação, além da proibição de novas publicações com o mesmo teor durante a tramitação do processo. Também é solicitada multa diária em caso de descumprimento. 

A iniciativa é conduzida pelo presidente estadual do PDT Goiás, Kowalsky Ribeiro, que também assina a petição na condição de advogado da legenda. No documento, Kowalsky sustenta que a representação busca preservar a autenticidade da informação política, a memória democrática e a regularidade da propaganda partidária, defendendo que a Justiça Eleitoral impeça o que classifica como “apropriação indevida” da trajetória de Iris Rezende. 

Para o PDT, a discussão ultrapassa o interesse de uma legenda específica e envolve a preservação da memória política e histórica de um dos principais líderes da redemocratização em Goiás, bem como o dever de observância das regras que disciplinam a propaganda partidária.

A representação agora aguarda a distribuição e a apreciação do pedido liminar pelo TRE-GO.

Na quarta-feira, como mostrou o Diário de Goiás nesta quinta (9) o PL sofreu um revés no Tribunal com uma liminar concedida à Federação Brasil da Esperança para a remoção de painéis com publicidade considerada propaganda eleitoral antecipada fixados na “Casa da Direita”, no Setor Bueno.

Procurado nesta quinta-feira (9), o PL ainda não retornou para comentar ambos os casos.

Já a pré-candidata a vice-governadora, Ana Paula Rezende, enviou nota no início da tarde, após a publicação inicial da reportagem. A assessoria dela acrescentou que uma pílula publicitária divulgada por ela “conta a história da Ana Paula, que é filha do Iris e da Dona Iris e é filiada ao PL”. Essa associação, enfatiza a nota, faz parte da história dela.

Nota de Ana Paula Rezende

“Eu recebi essa ação com estranheza, porque ela desconsidera um fato incontestável: a história dos meus pais é a minha história também.

Foi com eles que aprendi tudo o que sei. Foi ao lado deles que conheci a política feita de trabalho, presença e respeito pelas pessoas. E é essa política que quero levar adiante.

E o foi no PL que encontrei espaço, respeito e disposição verdadeira pra fazer isso. O partido não apenas abriu as portas para a minha história e para o legado dos meus pais, mas também abraçou esse projeto de dar continuidade a uma forma de fazer política que coloca as pessoas em primeiro lugar.

Uma política que escuta, que está presente e que trabalha para transformar vidas. A política do Mutirão, que valoriza a participação da população junto ao poder público, que entrega casa para quem mais precisa, que garante saúde, educação, que garante dignidade.

A disposição pra fazer essa política eu só encontrei no PL.


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