15 de julho de 2026
Goiás Esporte Clube

“Paulo Rogério abre o jogo no Goiás: novo estatuto, crise financeira e críticas ao modelo de gestão”

Paulo Rogério Pinheiro - Goiás Esporte Clube (Foto - Rosiron Rodrigues)
Paulo Rogério Pinheiro - Goiás Esporte Clube (Foto - Rosiron Rodrigues)

O presidente do Conselho Deliberativo do Goiás Esporte Clube, Paulo Rogério Pinheiro, concedeu entrevista exclusiva ao Diário de Goiás e detalhou a proposta de reformulação completa do estatuto esmeraldino. O dirigente explicou os motivos das mudanças, confirmou o retorno do modelo presidencialista no clube, falou sobre a atual crise financeira do Verdão e fez críticas ao atual modelo de gestão do Conselho Administrativo.

Segundo Paulo Rogério, a ideia é criar um estatuto totalmente novo, substituindo o modelo aprovado recentemente. “100% novo”, resumiu ao comentar o projeto. De acordo com ele, o atual documento foi elaborado de forma acelerada e sem considerar adequadamente a realidade do clube. “O estatuto foi feito às pressas, correndo, em poucos meses. Pessoas de fora do Estado não conseguiam entender a realidade cultural, política e interna do Goiás. As pessoas de dentro do Clube não tinham experiência alguma de gestão esportiva e social. Tem muitos erros e muitas coisas dúbias, que permitem interpretações diferentes, e isso é muito perigoso e com consequências sérias futuras”, afirmou.

A principal mudança será o retorno da figura do presidente executivo, modelo historicamente adotado pelo Goiás ao longo das últimas décadas – como por exemplo quando o clube era presidido por nomes como Raimundo Queiroz, João Bosco Luz, Sid Oliveira Reis, Sérgio Rassi, Marcelo Almeida e próprio Paulo Rogério, que funcionavam dentro desse formato. Pelo novo projeto, o presidente executivo terá autonomia para tomar todas decisões necessárias, e passando para o Diretor Executivo a execução de forma profissional. Deixa de existir o atual sistema colegiado do Conselho Administrativo. “No futebol tem que ter alguém que manda, alguém que responde e que aguenta as pancadas do futebol”, explicou Paulo Rogério Pinheiro.

O novo organograma prevê cinco vice-presidências: futebol, administrativo e financeiro, jurídico, marketing e novos negócios e esportes olímpicos e social. Nem o presidente executivo nem os vice-presidentes poderão receber salários. “Esses cargos da primeira linha não são remunerados por motivo de lei sobre as associações sem fins lucrativos”, explicou. Porém, cada área terá executivos profissionais remunerados, como diretor de futebol, diretor de base, diretor administrativo, financeiro, jurídico, marketing e outros que acharem necessário para o crescimento do Clube. “Hoje quem contrata diretor remunerado é o CA inteiro. Tem que convocar reunião formalmente, fazer a reunião em sí, depois fazer ata, registrar, e com isso o futebol já andou 15 dias, não resolve nada no tempo que o futebol necessita. E ainda não sabe quem responde quando dá errado. Agora será o presidente executivo junto com o diretor executivo”, afirmou.

Segundo o dirigente, a expectativa é que o novo estatuto seja analisado pelo Conselho Deliberativo nas próximas semanas e posteriormente encaminhado para votação da Assembleia Geral de Sócios. “Como esse estatuto foi totalmente reescrito e agora são 85 artigos. O Conselho terá um tempo mínimo de 15 dias para analisar e dar sugestão. Após será votado de forma “estatuto fechado”, no Conselho e depois encaminhado a Assembleia Geral, onde também os associados terão acesso com antecedência, mas irão também apenas votar sim ou não, votação única”, explicou. A previsão interna é que todo o processo seja concluído até agosto. Caso aprovado, o novo estatuto entrará em vigor imediatamente.

Com isso, o atual presidente do Conselho Administrativo, Aroldo Guidão, assume interinamente a presidência executiva do clube até a realização de uma nova eleição no fim do ano. O mandato previsto inicialmente – para o presidente eleito – será de três anos, podendo sofrer alterações caso o Conselho Deliberativo e os sócios aprovem mudanças no texto final.

Paulo Rogério Pinheiro também deixou claro que não pretende voltar ao comando executivo do clube. “Hoje eu não tenho condições de assumir o Goiás. Zero chance. Nunca mais serei candidato a cargo executivo no Goiás”, declarou. Segundo ele, o novo estatuto ainda proíbe integrantes atuais do Conselho Administrativo, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal de disputarem a próxima eleição, mesmo em caso de renúncia. “Nenhum deles poderá concorrer”, afirmou.

Durante a entrevista, o dirigente demonstrou forte preocupação com a situação financeira do Goiás. Ele afirmou que o clube vive dificuldades para equilibrar as contas e criticou diretamente o atual modelo de gestão. “Eu venho alertando desde 2024. O Conselho Fiscal alertou também. Não pararam de gastar dinheiro”, declarou. Paulo Rogério disse ainda que foi contrário a várias contratações em 2025. “Eu fui consultado em quase todas as contratações em 2025 e emiti minha opinião a favor ou contra, se gostava ou não, se era viável financeiramente ou não. A decisão final nunca foi minha e corretamente, Presidente do Conselho não tem que palpitar no futebol, por isso me afastei este ano para dar tranquilidade ao departamento de futebol para tomar decisões técnicas. Já em 2024 não estava presente no clube e cheguei para ajudar apenas já na parte final do campeonato no dia a dia do futebol para organizar a bagunça generalizada que se encontrava o departamento de futebol”, revelou.

As críticas atingiram também o executivo de futebol e suas decisões tomadas junto com o CA nas últimas duas temporadas. Disparou ao comentar os altos investimentos realizados pelo clube com jogadores “de qualidade técnica muito duvidosa e salários astronômicos”. Segundo ele, contratos longos e salários elevados comprometeram a saúde financeira esmeraldina. “Você acha que eu daria contrato de três anos e salário de R$ 200 mil para certos jogadores? Nem quando fui presidente executivo fiz isso”, questionou.

Paulo Rogério Pinheiro admitiu ainda atrasos financeiros no clube. “Tem atrasos em várias partes do Clube”, afirmou. Apesar disso, ele disse que o Goiás segue conseguindo manter impostos e obrigações trabalhistas em dia. “Vai pagando, vai pagando”, resumiu. Segundo ele, a venda de jovens jogadores deve ser fundamental para equilibrar o caixa nos próximos meses, como sempre foi feito no clube em décadas passadas.

Entre os nomes valorizados no mercado está o volante Lucas Rodrigues, que, segundo Paulo Rogério, dificilmente permanecerá no Goiás até o fim da temporada. “Vai ser uma venda histórica do Goiás, com certeza”, afirmou. Atualmente, a maior negociação da história do clube segue sendo a venda de Michael por aproximadamente R$ 49 milhões. “Provavelmente com a venda de atletas o Clube ficará em dia até o fim do ano e inicio de 2026, se não fizeram besteira novamente”, completou


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