14 de outubro de 2026
NOTÍCIA BOA? • atualizado em 02/04/2026 às 08:27

Páscoa fica mais barata pelo segundo ano, aponta levantamento da FGV

Queda média da cesta contrasta com alta de itens industrializados e concentração de mercado
Bombons e chocolates, no entanto, tiveram alta; entenda (Foto: Divulgação)
Bombons e chocolates, no entanto, tiveram alta; entenda (Foto: Divulgação)

A cesta de produtos típicos da Páscoa deve ficar 5,73% mais barata em 2026, de acordo com levantamento realizado pela FGV Ibre. É o segundo ano seguido de recuo nos preços, após queda de 6,77% em 2025, em movimento que contrasta com a geral de 3,18% no período medido pelo IPC-10.

O alívio no bolso, no entanto, não é uniforme. Produtos tradicionais da data seguem acima da média inflacionária. Bombons e chocolates subiram 16,71% em 12 meses, enquanto o bacalhau avançou 9,9%. Também registraram alta a sardinha em conserva (8,84%) e o atum (6,41%). Na outra ponta, itens básicos puxaram a deflação da cesta, como arroz (-26,11%), ovos (-14,56%) e azeite (-23,20%).

A dinâmica reforça um padrão observado nos últimos anos. Em quatro Páscoas recentes, duas tiveram inflação elevada e duas registraram queda de preços. Ainda assim, no acumulado desde 2022, os itens típicos da data subiram 15,37%, pouco abaixo da inflação geral de 16,53% no período.

O economista Matheus Dias, do Ibre/FGV, aponta que a composição da cesta ajuda a explicar a diferença de comportamento entre os produtos. “Em produtos mais industrializados, a queda da matéria-prima demora a chegar ao bolso do consumidor”, afirma. Mesmo com o cacau em retração no mercado desde outubro de 2025, acumulando queda próxima de 60%, o chocolate segue mais caro ao consumidor.

Há também fatores estruturais. Estudo citado no levantamento aponta alta concentração no mercado de chocolates, com cinco marcas de três respondendo por 83% das vendas. O cenário reduz a pressão competitiva e limita a velocidade de repasse de custos para baixo.

A Abicab sustenta que o preço final não depende apenas do cacau. Custos com leite, açúcar, logística e variação cambial entram na conta. A entidade também cita os efeitos do El Niño de 2024, que afetou a produção global, sobretudo em Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 60% da oferta mundial, gerando déficit estimado em 700 mil toneladas.

Apesar do histórico recente de pressão, a aposta em demanda aquecida. Segundo a Abicab, cerca de 800 produtos foram colocados no mercado neste ano, com 134 lançamentos. A expectativa é de 14,6 mil empregos temporários, alta de 50% sobre 2025, com parte das se tornando permanentes.


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