24 de junho de 2024
Política

Deputado José Vitti:”O Estado avançou muito com Marconi, mas este governo está ruim”

Um deputado governista que tem vergonha de andar pela região dele (Palmeiras de Goiás) por que as rodovias estaduais estão em péssima condição. Esta declaração foi dada pelo deputado estadual Jose Vitti (DEM) em entrevista à edição semanal do Tribuna do Planalto.

O deputado disparou críticas a secretários do atual governo de Marconi Perillo (PSDB) que não estão à altura da administração.

Vitti opinou que a situação das estradas vem, inclusive, de governos anteriores, não somente da administração do ex-governador Alcides Rodrigues.

Jose vitti é o primeiro a citar que a situação do governo é complicada porque existem compromissos do tempo da campanha que tem que ser pagos. O deputado ressalta que existe secretários que não estão a altura dos outros governos de Marconi Perillo.

Ainda na área politica o deputado ressalta que ainda não existe candidato para 2014, o que existe é a certeza de que os políticos tem grupo. Para Jose Vitti o jogo hoje é “o nosso grupo contra o grupo da oposição”.

 


A ENTREVISTA/ deputado estadual José Vitti (DEM), do Tribuna do Planalto

 

Tribuna do Planalto – Qual previsão para o trabalho este ano na Assembleia?
José Vitti – Nós já notamos que está diferente. A oposição cresceu e está se articulando para iniciar o debate eleitoral. E para ela é interessante, dado que o governo não conseguiu realizar parte do que pretendia. Agora, chegaram deputados novos também na base governista. Nós sentimos ano passado uma dificuldade muito grande em alguns momentos e se não fosse a camaradagem da oposição, nós não teríamos quórum para votar projetos do governo. Isso mostra que havia na época um pouco de desmotivação de alguns parlamentares, outros que se dedicaram muito para ganhar eleição para prefeito, o que é natural, mas agora neste início dos trabalhos temos notado que o embate será mais forte. A oposição não está somente maior, mas percebemos que está mais articulada. Então, se nós da base não tivermos mais trabalho, iremos enfrentar mais dificuldade. Fica aquela sensação que o governo tem de trabalhar muito. Teremos um ano, um ano e dois meses no máximo, para realizar tudo. Não realizou em dois anos ou pouco realizou. O Estado está em dificuldade financeira, tem uma folha de pagamento inchada, mas agora tem de procurar meios e métodos para realizar. O povo agora quer obra, quer estrada, quer asfalto no interior, quer saúde. Os prefeitos não conseguem realizar sem a ajuda do Estado e nós deputados somos este elo. Então, as estradas por exemplo, que apanhamos muito na campanha, existem as recuperadas e promessas de recuperar mais agora, mas tem de fazer. Na minha região, estou com vergonha de andar. Não tem estrada. E é a região do governador.

Até Palmeiras sofre com rodovias malconservadas?
É, não anda. De Cezarina para Palmeiras não anda. De Campestre também não. Para você chegar em Palmeiras agora está complicado. O pessoal estava indo por Nazário, mas agora acabou Nazário também.

Na opinião do senhor, por que o governo não consegue deslanchar? O problema é a herança?
Além da herança, é mais complexa a situação. Depois do Marconi os próximos também vão ter dificuldade. Hoje temos um modelo está exaurido. Hoje se concentrou mais de 70% da arrecadação do país na mão do governo Federal. O Marconi ainda foi muito habilidoso em se aproximar da presidente Dilma Rousseff, para sair alguns empréstimos e outras coisas, mas se ele não tivesse tido esse entendimento, estaríamos completamente perdidos e um exemplo disso é nosso Aeroporto, que é uma vergonha. Nós temos muitos avanços em Goiás, mas muitas dificuldades. Questão da malha viária não adianta jogar só para o governo passado dizendo que o mesmo não deu manutenção. O governo que está agora já vem de antes e a degradação foi ao longo do tempo. Por que não foi trabalhado isso lá atrás?

Marconi teve dois mandatos com alta aprovação. Falta foco ao governo? 
Detecto o seguinte: o cargo de governador é um cargo que todo mundo cobiça, mas não é algo tão simples assim. Muitas vezes você tem de tomar algumas medidas que vão contra o anseio da população. Por que o Iris foi importante no mandato dele? Porque precisava-se de estrada e ele focou em infraestrutura e fez. Não podemos esconder. Veio o governo Marconi e ele entendeu que a parte social seria importante e, realmente, foram governos muito bons, que ajudaram muito o Estado. Ele fez o que na época o Estado precisava muito que foi captar empresas para Goiás. Ele conseguiu formar um pólo farmacêutico consolidado em Anápolis. Hoje, o setor mineral também é consolidado. Obviamente que não se pode sentar e falar: “não dou conta mais”, mas observamos que neste governo houve uma mudança significativa no pensamento. Para ganhar a eleição foi preciso fazer muitas alianças. Marconi não era governador. Ele disputou contra o governo estadual e federal. Então, naquele momento para aglutinar forças foi preciso fazer promessas. Houve um loteamento muito grande nesse governo.

E o sr. avalia que hoje o governador é refém dessas alianças?
Acredito que sim. A palavra não é refém. Acho que compromisso. Muito difícil você fazer um compromisso e depois desfazer. Mas você observa em algumas secretarias, em outros governos do Marconi, pessoas que eram altamente qualificadas para o cargo e hoje você vê nitidamente que são pessoas indicadas por algum político, que teve essa articulação com o governador. E nós deputados sentimos muito isso. Não que secretário tenha de ser secretário de deputado, mas o mínimo que ele tem de fazer é nos atender bem. Às vezes nem recebido sou em uma secretaria. Tem alguma coisa errada. Existe secretaria que só atende deputado do partido daquele secretário que está lá.

O sr. vê ação do governador para unificar o governo dele?
O governador tem se preocupado com isso e está mais evidente nos últimos meses. O Marconi é um estrategista. Ele também tem visão, tem pesquisa e com certeza consegue medir a avaliação que tem. O jogo da vaidade política é muito grande. Hoje você tem o grupo do PSD, que quer ter um espaço maior porque formou-se uma bancada e etc. E são vaidosos. Nós tivemos recentemente discussões boas na Assembleia por conta dessas condições.

O sr. acha esse debate, de quem vai ser ou não candidato, precipitado? 
O pessoal me questiona dizendo que agora meu candidato é o Ronaldo Caiado (DEM). Não. Meu candidato não é o Caiado, nem o Marconi, nem ninguém. O governador é o Marconi e o Ronaldo tem um histórico que o credencia a ser pré-candidato. Não há nada que o descredencie, então, nada mais justo que ele se dizer pré-candidato. Ter nomes e discutir política não é crime. Acho que a Lúcia Vânia (PSDB) tem de trabalhar, o Ronaldo também, nomes novos têm de surgir.

Hoje soa como uma afronta alguém se apresentar como pré-candidato ao governo na base aliada?
Não adianta discutir nome agora se a gente chegar lá na frente com o governo que aí está. Aí nós vamos passar o governo para a oposição. Temos de entender que o jogo é: nosso grupo ou o grupo da oposição? Então, é o nosso grupo. Não interessa qual nome seja. Tem de ser só A ou B? Mas por exemplo, o PMDB é refém do Iris até hoje. Qual nome desponta no PMDB? Não tem outro nome. Poderia ter sido o Thiago (Peixoto, secretário de Educação). Hoje não tenho dúvidas: se o Thiago tivesse no PMDB ele seria governador daqui a dois anos, mas a habilidade do Marconi foi trazê-lo – “Trago ele para cá, mato ele e resolvo meu problema”. Hoje nosso grupo também é refém.

Na opinião do sr., a ‘sombra’ que é grande e boa e todo mundo quer ficar debaixo, ou ela é tão forte que não deixa ninguém despontar?
Tem as duas coisas. Na verdade, a minha relação com o Marconi é quase de irmão. Tem irmão que sai na porrada. Mas eu amo meu irmão. Você não mexe com ele não. Eu brigo com ele em casa, mas não aceito meu vizinho falar mal dele. Então, ele tem suas virtudes, é um cara que admiro e, é um cara que Goiás deve muito. O Estado avançou muito com Marconi, mas este governo está ruim. Tem secretarias que andam, algumas partes que funcionam, mas são pouquíssimas. Vou fazer uma crítica construtiva: todo mundo questionava que o Jorcelino Braga era primeiro ministro do Alcides, que só existia o Braga. O governo Marconi tem o dele: é o Giuseppe Vecci. Se não passar pelo Vecci, não libera. Não mudou. Não tem autonomia no governo. Tudo na vida são ciclos e mudanças. Se eu andar no Estado e sentir que o desejo da população é que ele permaneça, eu vou defender muito o nome do Marconi, mas se eu sentir que as pessoas querem um outro nome, vou defender uma alternativa viável. Eu não posso ser refém.

Hoje o governador não teria condições de pedir mais quatro anos à população?
Na minha visão, hoje não. A capacidade do Marconi é muito grande, mas tem muitos setores insatisfeitos. Os funcionários públicos, por exemplo, a insatisfação é geral. Estamos vendo estradas recuperadas? Sim. Mas a maioria delas não estão. Vai em municípios e percebe uma dificuldade muito grande em executar obras, quer dizer, fica na mão do governador.

O sr. tem opiniões contundentes sobre o governo. O sr. sofre por isso?
Sofro, isso é natural. Às vezes, não sofro de maneira explicita, mas sofro de maneira velada. Sou muito fiel ao Marconi, sou fiel até o final do mandato dele e muita gente me questiona se na Assembleia eu faria oposição. Pelo contrário, e deixo claro que em momentos de projetos polêmicos como o da Educação e do Ipasgo, deputados que se dizem fiéis e que brigam pelo Marconi não votaram. Teve deputado que foi ao banheiro e não voltou, mas o José Vitti estava lá. Lealdade se mostra é nisso. Agora, falar o que todo mundo está vendo não é crime para ninguém.

A relação com o governador sofreu  desgaste devido a eleição de Palmeiras?
Não. Na verdade, eu não queria estar contra o governador dentro de Palmeiras. A questão maior é que eu ajudei a eleger o prefeito de Palmeiras (Alberane Marques, do PSDB) e na minha eleição ele me traiu. Não só a mim, mas traiu meu grupo. Ele deixou de ter alguém que é da cidade, que o ajudou, para ajudar quem nunca teve compromisso nenhum com a cidade. Nesse momento, teve grupos que me estenderam a mão e eu tive cinco vezes mais votos do que o prefeito com o candidato dele. O próprio governador sabia que eu não teria condição nenhuma de subir no palanque desse prefeito. Não tem jeito. Então, tive meu candidato, enquanto o governador entendeu que ele deveria permanecer com o candidato dele. Se você perguntar para mim se eu acho que o Marconi gostou, eu vou falar que não, que ele deve ter ficando dois ou três dias sem dormir, com raiva e me xingando.

O fato do Júnior do Friboi ter ajudado o candidato que o sr. apoiou foi o motivo de o governador ter ficado chateado?
Esse foi o grande problema. Se o candidato não desse o azar de ser do PSB, pois ele  (Vando Vitor)  era um candidato que sempre esteve com Marconi, mas deu o azar de ter sido eleito pelo PSB e, por causa da necessidade da fidelidade partidária, não podia mudar de partido. O próprio tio do governador, que é vice-prefeito (Itamar Perillo), foi contra o Marconi em duas eleições e se aproximou após sua eleição para o governo. Com certeza, porém, ficaram arranhões. Ou melhor, eu acho que o Marconi se sentiu ameaçado. O fato de o Júnior do Friboi ter ido pra dentro de Palmeiras motivou a ida do governador por duas vezes, mesmo após anunciar que não subiria em palanques. Mas nós não podemos desmerecer o que o Marconi fez por Palmeiras.

O que ficou definido após o encontro do DEM no início da semana? 
Nessa reunião fiquei muito surpreendido com as palavras do Ronaldo. Sabemos que o deputado quer ser candidato, o que é contraditório com o projeto do vice-governador. Mas o Caiado disse em alto e bom tom que a decisão será tomada em junho de 2014. Isso é bom, pois será decidido por convenção. O deputado já adiantou que vai ouvir a maioria. Ficou deliberado que teremos a cada 15 ou 20 dias um encontro em algum município. Não podemos ficar todos parados aqui no DEM e em 2014 decidimos quem vai disputar.

Como vai ficar a situação com o vice-governador? Ele fica no DEM?
Eu não torço pelo Caiado em detrimento do José Eliton. Torço para que o partido tenha espaço e consiga formar uma coligação competitiva.  o partido entender que devemos continuar na base do governador, como em 2010 quando indicamos o vice, vou apoiar. Se o partido entender que não, que devemos seguir com candidatura independente, aceitaremos também. Eu entendo é que política não pode existir rivalidade. Devem existir projetos que buscam o melhor para população. Torço por um entendimento para manter o vice-governador no partido. Não podemos esquecer que em 2010 tínhamos mais de 50 deputados federais que nos davam uma condição de tempo de televisão grande. Hoje, temos 28 e, teoricamente, no Congresso, somos um partido pequeno. Talvez para o DEM o mais importante hoje seja a presença das lideranças nas cidades, a capilaridade, do que o tempo de televisão. Agora, sem desmerecer ninguém, se colocarmos uma disputa entre Caiado e Vilmar Rocha (PSD) eu acredito que dê Ronaldo. O Ronaldo representa um segmento que é o maior do Estado. Qual Estado que o homem do campo não quer o Ronaldo Caiado representando o segmento? O Vilmar traz o tempo de televisão, mas será que traz votos?

O sr. trabalha com a hipótese de ser candidato a deputado federal?
Eu trabalhei com essa hipótese. Na verdade, trabalharam essa hipótese pra mim, em consequência da votação expressiva que tive para deputado estadual e pela situação do partido e da coligação. Hoje eu trabalho menos com esta hipótese. Hoje penso muito mais na possibilidade de uma reeleição.

Acesse a entrevista na Tribuna do Planalto, aquí. 


Leia mais sobre: Política