15 de julho de 2026
PATRIMÔNIO NO CHÃO • atualizado em 05/03/2026 às 17:01

Painel de cerâmica tombado em Anápolis pode precisar de troca total

Poucos meses após a inauguração a obra de arte começou a desabar e ainda não se sabe qual o motivo
Painel do Centro Administrativo Adhemar Santillo está fadado a se desfazer. (Foto: Rádio São Francisco)
Painel do Centro Administrativo Adhemar Santillo está fadado a se desfazer. (Foto: Rádio São Francisco)

Inaugurado em agosto de 2024 e tombado como patrimônio do município de Anápolis, o painel de cerâmica que enfeita o Centro Administrativo Adhemar Santillo cai, peça a peça, para um destino evidente: a destruição total. E só o que pode evitá-la, segundo quem o construiu, é uma renovação total.

O artista plástico Luiz Olinto, famoso por obras deste tipo ao redor do mundo, vê a retirada total – para novo processo de assentamento, como o caminho mais correto, embora não o único. “Nós não vamos conseguir recuperá-lo. Quando começa um problema em baixo, vai subindo. Ali teria que fazer um trabalho novo e retirar tudo”, disse.

Segundo Olinto, ainda não há um diagnóstico sobre a causa do doloroso desabamento das cerâmicas. As principais hipóteses são o tipo de argamassa utilizada ou o processo de assentamento, além da umidade do local. Ou pior ainda: o problema poderia estar na própria alvenaria.

“A prefeitura tem tentado descobrir. Quando começou a cair, me pediram para recolocar as peças danificadas. Detectamos que estava solto e bastante solto. Junto com a engenharia da prefeitura, não chegamos a uma conclusão. Houve um estudo. Com a cerâmica, não há problema. Pode ser a argamassa, o assentamento com a argamassa, a própria alvenaria. Não chegamos a um acordo. A cerâmica não tem problemas, mas como a queda é grande, dificulta recuperar”, explica.

Uma das possibilidades aventadas por Olinto para salvar o painel sem ter que trocar cada uma das peças – o que demoraria um ano. A ideia dele é utilizar uma Serra Mármore e tentar recuperar o máximo possível a partir da abertura de sulcos na alvenaria.

“O que eu imaginei foi subir numa plataforma e verificar quais cerâmicas estão fofas ou não. Poderíamos assim descobrir e, quem sabe, recuperar a metade para cima. Poderíamos dividir o painel em cinco partes. Passaríamos uma ferramenta abrindo um sulco entre uma cerâmica e outra e a alvenaria. Poderia ser uma solução. Se tiver alguma solta poderíamos recuperar. Acredito que faríamos um trabalho que ficaria bem resolvido”, afirmou.


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