22 de abril de 2024
Lênia Soares

Os ‘exércitos’ de Marconi e Iris se levantam. Há 15 anos e agora

Nos últimos dias o governador Marconi Perillo (PSDB) tem elogiado o seu ‘exército’ de apoiadores e feito discursos motivacionais, apontando a vitória à frente, talvez de novo contra o velho inimigo Iris Rezende, do PMDB.

Curiosamente, 15 anos atrás, em julho de 1998, quem chamava à luta o seu ‘exército’ era exatamente o então candidato peemedebista ao governo, Iris Rezende, para o enfrentamento ao candidato adversário. Quem? Marconi Perillo.

“Vocês conhecem o nosso trabalho. Faremos muito mais por Goiás”, frase comum nos discursos do peemedebista, em 1998, e do tucano, no dia 14 deste mês, durante o encontro da base aliada.

Aliás, a convocação dos companheiros é outra marca forte de ambas as partes. “Chamei todos vocês de uma só vez e veja como é bonito ver mais de três mil líderes juntos. Daqui vamos sair com o grito da maior vitória já vista”, disse Iris naquela época.

Hoje, Marconi ressalta a união de sua base como vantagem em relação aos adversários. “Nós contamos com a união. Estamos coesos. Juntos, sairemos vitoriosos.”

Outra semelhança, no mínimo curiosa, é o garoto propaganda dos inimigos políticos. Foi no dia 16 de julho de 1998, cerca de um mês após a morte do irmão, que o cantor Leonardo estreou nos comícios ao lado de Iris Rezende.

Na ocasião, Leandro foi lembrado no discurso do então senador, arrancando lágrimas – e minha memória não haveria de falhar – do meu pai, fã incondicional dos sertanejos.

“Nós dois viemos da roça. Somos dois predestinados – só que ele, para a música, e eu, para a política”, falou, antes de ser ovacionado pelas mais de 10 mil pessoas presentes para ver o showmício naquele dia.

Agora, Leonardo faz dupla com Marconi e canta a “alegria de viver em Goiás”. Embalado pelo coro governista, o tom emotivo dá lugar ao entusiasmo, este característico do governador desde a coligação Certeza de um Tempo Novo.

Já Iris, ainda que distante do processo eleitoral de forma direta, é citado atualmente como solução para o futuro. “Um homem do futuro”, como ressaltou sua filha Ana Paula Rezende, em seu discurso durante a homenagem aos 80 anos do pai na Câmara de Goiânia.

‘Goiás Rumo ao Futuro’ era a chapa irista em 98.

Naquele momento político, Marconi era visto como o novo. Há três meses das eleições, o tucano lutava contra os 65% das intensões de votos favoráveis ao candidato do PMDB. Eram cinco partidos (PSDB, PFL, PTB, PPB e PSDC) contra 14 da coligação de Iris.

Marconi não contava com os escândalos que afetaram sua imagem nos últimos anos, nem com o pragmatismo adquirido em seu tempo na política.

Iris não contava com a fragmentação do grupo persuadido por valores apolíticos, nem com a sabedoria que só uma derrota como a de 1998, e seus 55 anos de vida pública, poderiam oferecer.

Um histórico com estratégias que se repetem. Um leque de possiblidades que se abre. Uma derrota que pode somar aos índices das semelhanças, ou destoar do tom sertanejo da política de Goiás. Uma vitória redentora, quem sabe, para o que chegar lá.


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