Vereadores da oposição ficaram indignados com a saída antecipada do prefeito Sandro Mabel (UB) durante a sessão de prestação de contas de 2025 na Câmara Municipal de Goiânia na manhã desta segunda-feira (16). Além de deixar o espaço antes de iniciar a participação dos vereadores, durante coletiva de imprensa Mabel chamou seus críticos na Câmara de “bezerrões que mamavam”. O episódio, como mostrou o Diário de Goiás, foi após o prefeito ser chamado de “fujão”.
Ouvidas pelo jornalista Altair Tavares, editor-geral do DG, parlamentares questionaram o método de Mabel.
Aava Santigado (PSB) reagiu apontando falta de respeito. “Ele reforça o desrespeito pelo Parlamento. Nós ficamos aqui para ouvi-lo, ouvimos atentamente a sua apresentação. Então, seria, no mínimo, um gesto de retribuição à gentileza da Câmara [ele ficar]. Afinal de contas, a reunião de apresentação de contas é na Câmara. Se ele nos convidasse para ir à Prefeitura, certamente eu não falaria e sairia sem ouvi-lo. Então, a gente espera um gesto de boa educação”, reclamou.
A vereadora seguiu dizendo que Sandro Mabel não tem mantido um histórico de gentileza com a Câmara – “É um histórico de hostilidade”.
Já em relação ao conteúdo da prestação de contas, ela considerou incoerente “a suposta economia que o prefeito alega, que afirma que é de um bilhão de reais, em relação à calamidade pública”. Ela se referia ao decreto de calamidade na área da Saúde, que foi renovado pela Assembleia Legislativa.
“Vemos vários contratos sendo assinados sem licitação, por adesão de ata, em valores exorbitantes. Vários serviços que eram prestados gratuitamente, agora estão sendo prestados mediante contrato com empresas. Então, tudo isso com base no decreto de calamidade. Então, de onde vem essa economia?”, detalhou.
“Postura lastimável”
Outra que questionou a saída intempestiva de Mabel e o conteúdo do relatório, foi a vereadora Kátia (PT). “É sempre lastimável essa postura do prefeito que vem e fala e não escuta ninguém. Isso faz parte do processo democrático, você falar e você ouvir”, criticou.
Sobre os números também sobraram críticas. “A prestação de contas mostra, claramente, uma prefeitura que tem um superávit de 1,2 bilhão com uma calamidade na saúde, na educação, no serviço da assistência, mostra que não tem um problema de dinheiro, tem um problema de gestão. Reduziram os investimentos da política pública, mesmo quando teve um superávit”, apontou Kátia.
Ela acusou a prefeitura de ter sacrificado serviços importantes para a população para alcançar os número positivos. “ Fizeram um superávit em cima do lombo das pessoas que precisavam da saúde funcionando, que precisavam da vaga do Cmei, que precisavam da assistência, sendo essa rede de apoio para acolher aqueles que mais precisam, que estão em situação de vulnerabilidade. Então, os números é uma contradição entre o superávit e a má gestão da prefeitura nesse ano de 2025”, acrescentou.
Kátia questiona ainda elementos como “limite prudencial”. “A lei permite que ele possa chamar os aprovados do concurso público, pagar o piso dos professores, garantir o plano de carreira dos administrativos, porque eles não estão no limite prudencial. Então, tem uma precariedade, uma falta de servidores, uma precarização do trabalho, enquanto a prefeitura tem condição de garantir essa valorização e as condições de trabalho”, explicou.
Líder defende relatório
Líder de Mabel na Câmara, o vereador Wellington Bessa (DC) defendeu o prefeito. Em entrevista ao DG, ele se disse satisfeito com os números apontados. “Nós temos a maior certeza de que a gestão do prefeito Sandro Mabel é uma gestão que faz com que a cidade de Goiânia tenha esperança de ter dias melhores. A cada prestação nós tivemos um avanço, uma evolução das contas públicas de Goiânia”, afirmou.
Segundo Bessa, a base governista na Câmara está satisfeita com os resultados do primeiro ano da gestão de Mabel. “Os números são muito bons. Então, os vereadores da base também fizeram essa análise, fizeram essa análise das contas. Eu acho que é visível para todos o quanto a gestão, foi responsável na gestão dessas contas e hoje nós temos um resultado positivo. Entre aumento de receita, diminuição de despesas, equilíbrio fiscal, aplicação dos índices constitucionais, investimento nas áreas sensíveis. Então, hoje nós temos condições de ter cada dia mais investimento na cidade de Goiânia”, completou.
Conforme o líder, Mabel agora tem condições de gastar, desejo que o prefeito manifestou durante entrevista após deixar o plenário. “Agora nós temos condições de investir, nós temos capacidade de investimento hoje. Então, cada dia mais, dentro dessa gestão equilibrada, dentro dessa gestão austera, dentro dessa gestão que traz resultado, que é a gestão do nosso prefeito Sandro Mabel, nós teremos cada dia mais condições de gastar, condições de investir na nossa cidade”, concluiu.
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