19 de agosto de 2022
Opinião
Publicado em • atualizado em 24/07/2022 às 14:34

Nossa querida Goiás da história e do futuro 

A Cidade de Goiás completa 295 anos neste 25 de julho. Eu que nasci e me criei nesta terra, onde também me casei, tive meus filhos, trabalhei e fui honrada com a oportunidade de governar por oito anos, comecei a entender melhor o sentimento de saudade tão bem narrado por Cora Coralina, nossa poetiza maior, em seus versos. 

Nos últimos nove meses estive morando em Goiânia para exercer o cargo de Subsecretária de Governança na SEDUC/GO. Viajei o Estado todo, conheci belos lugares e cidades, e pude saborear os sabores da culinária do nosso Estado. Pude vivenciar a hospitalidade, a simplicidade e o acolhimento do povo goiano e, por onde passei, encontrei um pouquinho da nossa querida Vila Boa. Um pouquinho que só me dava mais saudade de casa, da família, dos amigos, das nossas ruas e becos, das casas encostadas, cochichando umas com as outras – como dizia Cora.

Goiás, berço da nossa cultura, de onde muitos filhos batem asas, mas para onde a maioria volta, nem que seja para passar um final de semana, o carnaval, a Semana Santa ou o feriado de Natal. Goiás, essa mãe amorosa dos vilaboenses e de todos que aqui vivem, pode ser vista também como avozinha querida de todos os goianos, assim como sua padroeira, Nossa Senhora de Santana, aniversariante do dia.

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Apesar da idade, Goiás apresenta ares juvenis e de transformação. Está mais viva do que nunca. A Goiás de hoje é muito diferente daquela que encontrei quando cheguei à Prefeitura em 2012 como a primeira mulher a ser eleita para o cargo. A ex capital do Estado, cuja história política foi marcada pelo domínio de homens doutores e seus sobrenomes tradicionais, elegia pela primeira vez uma professora de uma família sem qualquer tradição nos espaços de poder. 

Aquela eleição, contudo, não foi um feito pessoal meu ou do meu grupo político. Foi, sobretudo, resultado de um processo de construção de lutas por igualdade e por mais participação do povo na política, que remonta aos movimentos de base da Igreja Católica, o Legado de Dom Tomás Balduíno e, acima de tudo, a história de vida e de trabalho das mulheres, a maioria delas anônimas, que foram conquistando cada vez mais espaço na nossa sociedade.

No aniversário da Cidade Mãe do Estado, quero homenagear todas as mulheres que, mesmo privadas por tanto tempo dos salões e dos palácios do poder, seguiram construindo a História que importa de verdade dessa cidade: a história do seu povo, a sua cultura e a suaidentidade. 

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Falo das mães e das avós, das lavadeiras de antigamente, das carregadeiras de água na cabeça, como Maria Macaca, das donas de casa, das doceiras e das artesãs, como Dona Xica, Dona Alicinha, Eva e Rosângela. Falo de Cora e das Mulheres Coralinas. Falo de Brazilete Caiado, de Goiandira do Couto e de Regina Lacerda. Falo das mulheres de pele preta que além do machismo enfrentam o racismo, como Leodegária de Jesus e nossa vereadora Elenízia da Mata. Falo de mulheres empreendedoras, como Milena Curado que com sua arte segue vestindo caboclas e Filós.

Celebremos o aniversário de Goiás, nossas memórias, nossas tradições, nosso patrimônio material e imaterial, mas celebremos, sobretudo, os novos caminhos que nossa gente trabalhadora vai traçando. Celebremos a presença das universidades e as novidades que seus alunos e professores nos trazem. Celebremos o FICA e o despertar para as questões ambientais. Celebremos a vida de cada pessoa que vive nos casarões do centro histórico, nas residências dos bairros e áreas mais novas da cidade, e de todos aqueles e aquelas que vivem e que trabalham no campo.

Nesta data tão especial, desejo a cada um de nós saúde em primeiro lugar e oportunidades para realizarmos nossos sonhos e que sonhando e realizando, possamos escrever a história da Cidade de Goiás do futuro. 

Selma Bastos é professora, ex-prefeita da cidade de Goiás

A opinião deste artigo não necessariamente reflete o pensamento do jornal.