13 de junho de 2024
Opinião
Publicado em • atualizado em 26/04/2024 às 17:50

A inteligência orgânica jamais será substituída pela inteligência artificial

Escreve o que digo: em breve, produção de conteúdo, seja texto, foto ou vídeo, feita exclusivamente com Inteligência Artificial, será algo pelo qual iremos nos envergonhar. Não digo isso por ter medo de que as IAs dominem tudo, pelo contrário, é por que não há nada que seja tão lindo quanto um trabalho orgânico. Pense como um exemplo, uma fotografia  muito boa de alguém feita por um profissional humano para um trabalho específico, ali tem um envolvimento de duas pessoas, tem sentimento, paixão, história. Agora pense em uma fotografia criada para o mesmo fim, mas totalmente construída com alguma ferramenta artificial, é desanimador e nada atrativo.

Porém, nos últimos anos, a discussão sobre o impacto da inteligência artificial e da automação no mercado de trabalho tem gerado preocupações significativas. Muitos temem que o avanço da tecnologia resulte na substituição massiva de trabalhadores por máquinas inteligentes. No entanto, é importante considerar que, apesar dos avanços impressionantes da IA, ela não substitui, e nem vai substituir, completamente os trabalhadores humanos.

Primeiro, porque é crucial reconhecer que a IA é uma ferramenta poderosa, mas limitada, e provavelmente sempre será. Embora seja capaz de realizar tarefas específicas de forma eficiente e precisa, sua capacidade de adaptação e criatividade é limitada em comparação com a mente humana. A inteligência artificial é baseada em algoritmos e padrões pré-definidos, o que significa que ela pode encontrar soluções para problemas conhecidos, mas pode enfrentar dificuldades quando confrontada com situações novas e imprevistas. Nesses casos, a intervenção humana é indispensável para resolver problemas de forma flexível e inovadora.

Ou seja, literalmente, a inteligência artificial não pode criar nada que nós nunca tenhamos visto antes, ou pelo menos, nada que não tenhamos imaginado. Quase tudo que se vê das IAs é algo extremamente raso, sem graça ou superficial. Se você pedir, por exemplo, para ela criar a ideia de um animal novo, um monstro nunca antes visto que seja, ela vai buscar na sua base de dados referências de animais ou monstros que já existem ou que já foram feitos por um humano antes, e tudo o que lembre uma junção do que for pedido.

Além disso, é fundamental reconhecer o valor único que os trabalhadores humanos trazem para o ambiente de trabalho. A empatia, a intuição, a criatividade e a capacidade de pensamento crítico são habilidades que os seres humanos possuem e que são difíceis de replicar em máquinas. Essas habilidades são especialmente importantes em setores como saúde, educação, arte e serviços sociais, onde o aspecto humano é essencial para o sucesso.

É verdade que a automação e a IA estão mudando a natureza de muitos empregos, automatizando tarefas repetitivas e permitindo uma maior eficiência em processos industriais. No entanto, em vez de substituir os trabalhadores, essa tecnologia muitas vezes os capacita, permitindo que se concentrem em tarefas mais complexas e de maior valor agregado. Por exemplo, em fábricas automatizadas, os trabalhadores podem supervisionar e otimizar os processos de produção, além de realizar tarefas de manutenção e resolução de problemas que exigem habilidades humanas específicas.

A implementação bem-sucedida da IA requer uma combinação de habilidades técnicas e humanas. Os trabalhadores humanos desempenham um papel fundamental na concepção, desenvolvimento e supervisão de sistemas de IA, garantindo que sejam éticos, seguros e eficazes. Portanto, em vez de serem substituídos, os trabalhadores são cada vez mais valorizados como parte integrante do processo de inovação tecnológica.

Em suma, a inteligência artificial é uma ferramenta poderosa que está transformando o mundo do trabalho. No entanto, sua implementação não significa necessariamente o fim dos empregos humanos. Ao reconhecer e valorizar as habilidades únicas dos trabalhadores humanos, podemos garantir que a IA seja usada para melhorar, em vez de substituir, o trabalho humano. O futuro do trabalho é uma colaboração entre humanos e máquinas, onde cada um contribui com suas habilidades distintas para criar um ambiente de trabalho mais produtivo, criativo e humano.

Carlos Nathan Sampaio Silva é formado em comunicação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e especialista em SEO, comunicação corporativa e mídias digitais

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