28 de maio de 2022
Diário de Goiás

OPINIÃO / Marconi a caminho do PSD?

Com o PSDB em baixa, PSB e PSD em alta, já há rumores de que o grão-tucanato de Goiás pode trocar de camisa, buscando no partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, a sobrevida na sucessão de 2014.

O PSDB acabou? Não. Mas é verdadeiro dizer que sai enfraquecido destas eleições municipais. Em Goiás, perdeu nas principais cidades pólos: Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Jataí, Mineiros, Santa Helena, Luziânia, Valparaízo, Santo Antônio do Descoberto, Porangatu, Posse, Jaraguá, Ceres.

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As exceções ficaram por conta de Catalão, Goianésia e Quirinópolis, com o DEM de Odair Resende.

O cenário da sucessão de 2014 se complica para o PSDB e o seu principal ator, Marconi Perillo, considerando-se que juntos, PMDB, PT e PSB governam cidades que correspondem a 70% do eleitorado goiano.

O horizonte nacional também é de tempos difíceis. Principal liderança tucana o ex-governador José Serra caminha para uma derrota fragorosa na disputa pela prefeitura de São Paulo.

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Qual é o plano B?

No PSDB  há quem defenda uma aproximação com o governador do Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Os socialistas seriam a “barriga de aluguel” para a volta do PSDB ao poder, como parecem acreditar tucanos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso(SP) e o senador Aécio Neves (MG).

Há quem veja até uma articulação sendo desenvolvida pelo ex-governador Ciro Gomes. Com ligações históricas no PSDB, do tempo em que foi ministro da Fazenda do ex-presidente Itamar Franco, ele seria o nome para uma (re) aproximação dos tucanos com o PSB e outros setores digamos,  mais independentes, da atual aliança governista como o PSD.

E é no PSD e no PSB que alguns marconistas acreditam que pode estar a sobrevida do inquilino da Casa Verde. Diante da derrocada do projeto de poder do PSDB, já há aqueles que entendem que o PSD é o caminho natural para Marconi Perillo. Seria uma tacaca de mestre, pois na visão destes,

Marconi passaria inicialmente a fazer parte da base de apoio da presidenta Dilma Roussef; num segundo momento, caso o PSB confirme o projeto de lançar Eduardo Campos à presidência, o governador de Goiás seria fiador deste projeto, pelo PSD. E numa jogada destas, quem sabe Marconi Perillo sai candidato a reeleição e ainda convence o empresário José Batista Júnior, o Júnior Friboi a ser o seu vice?

Há rumores de que estas articulações já estariam em curso em Brasília, sendo do conhecimento inclusive de setores do PT.

Em se tratando de Marconi Perillo, tudo é possível. O tucano é conhecido pela flexibilidade de suas posições. Até a metade de seu segundo governo (2004), o tucano conservava boa relação com o presidente Lula. A partir de 2005 foi para imprensa com a ilação (nunca provada) de que teria alertado o petista sobre o suposto mensalão.

Com o PFL-DEM de Ronaldo Caiado e Demóstenes Torres viveu relação de amor e ódio, alternando aliança e distenções. Mesmo dentro do PSDB teve facilidades e dificuldades com figuras como o ex-prefeito Nion Albernaz, a senadora Lúcia Vânia e o ex-governador Henrique Santillo.

Independente da definição do PSB, se Eduardo Campos embarca ou não numa aventura presidencial com o PSDB (o que eu, particularmente, acho improvável), Marconi Perillo pode mesmo estar vislumbrando sobrevida política num novo partido, no caso o PSD. Seria a oportunidade de atrair novos atores políticos para o seu lado, e, principalmente, uma tentativa de rachar a oposição em Goiás.

Dividir para conquistar é o jogo mais jogado por aqueles que detém o poder. A estratégia, que teria sido criada (ou identificada) pelo general Júlio Cesar, já foi usada a exaustão pelos governadores Pedro Ludovico Teixeira e Iris Rezende Machado, dois dos maiores líderes políticos do Estado.

Besta de quem acha que Marconi é besta. Mais besta ainda, quem ficar parado, esperando no que vai dar.

 


Marcus Vinicius é editor do Jornal Onze de Maio

 

@marcusvfelipe

(Texto publicado originalmente no Blog do Marcus Vinícius)

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