20 de fevereiro de 2024
Risco • atualizado em 30/11/2023 às 10:59

‘Operação Jornada Legal’ mostra carga horária exaustiva e uso de drogas por caminhoneiros

Os dados mostram que 12,26% dos motoristas dormem apenas entre quatro e cinco horas por dia. Pressão com demandas é principal razão para longas cargas horárias.
O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira afirma que dados apontam riscos em rodovias. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).
O diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira afirma que dados apontam riscos em rodovias. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

A ‘Operação Jornada Legal’ realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aponta uma exaustiva carga horária dos motoristas profissionais. Além disso, a força tarefa também demonstra também que muitos utilizam substâncias químicas diariamente para evitar o sono.

Os dados da ‘Operação Jornada Legal’ apontam que 25,47% dos motoristas profissionais trabalham mais de 13 horas por dia e 56,6% trabalham, em média entre nove e 12 horas por dia. mostrou que 12,26% dos motoristas dormem apenas entre quatro e cinco horas por dia. A maioria (58,49%) diz que dorme entre seis e oito horas por dia. O intervalo para refeições é feito entre 30 minutos e 1 hora para 60,38% dos motoristas abordados.

Vale lembrar que a Lei dos Caminhoneiros determina 11 horas de descanso. Porém, 47,1% dos entrevistados para a ‘Operação Jornada Legal’ disseram fazer intervalo de menos de oito horas de descanso entre um dia e outro de trabalho. De acordo com dados da operação, um a cada quatro motoristas fiscalizados foram autuados por descumprirem a lei em relação ao descanso.

Pressão e uso de substâncias

No total, a ‘Operação Jornada Legal’ colheu 106 respostas entre os dias 28 e 29 de novembro deste ano. Dessas respostas, 18,87% utilizam substâncias químicas, sendo que 2,83% disseram usar diariamente. Entre aqueles que trabalham mais de 16 horas, o número dos profissionais que confirmam que utilizam algum tipo de substância sobe para 50%.

A pesquisa não ficou apenas na especulação e os entrevistados foram submetidos a testes laboratoriais para detectar qual substância foi utilizada. Conforme dados colhidos nos últimos cinco anos, os números são alarmantes. a droga mais utilizada é a cocaína (70% dos motoristas), seguida por maconha (15%), opióides (10%) e anfetaminas (5%), o rebite.

“Um condutor extenuado perde a atenção e passa a ser um risco para ele próprio e para os outros usuários da rodovia”, afirma o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Antônio Fernando Oliveira. Ele explica que os caminhoneiros sofrem uma grande pressão com as demandas. Isso faz com que os profissionais não respeitem o horário de descanso e trabalhem além do horário permitido por lei.

Com informações da Agência Brasil


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Elysia Cardoso

Jornalista formada pela Uni Araguaia em 2019