A oferta de lotes pelo mercado imobiliário na Região Metropolitana de Goiânia caiu 20% em 2025, de acordo com dados de uma pesquisa da Associação de Desenvolvedores Urbanos (ADU) com a Brain Consultoria. O levantamento compilou terrenos lançados comercialmente na capital e nos demais 19 municípios da região metropolitana.
Em 2024, foram colocados no mercado 10.367 lotes, numa média de quase 2,6 mil por trimestre. Em 2025, por outro lado, a disponibilidade foi de 8.288, ou seja, uma média de 2.072 a cada trimestre.
De acordo com o sócio-consultor da Brain, Marcelo Gonçalves, a retração se explica pela alta taxa de juros – na casa de 15% – que reduz o poder não só das famílias consumidoras, mas também dos construtores e empreendedores do mercado imobiliário.
“Esse mercado tem certa dificuldade no nível de lançamento, pois depende muito dos prazos longos de aprovação do setor público. Tivemos um ano bom, mas menor que 2024. Poderia até ter sido bem pior, pelos juros de 15% que estão aí há muito tempo. Isso dificulta o dia a dia do empreendedor e comprador”, explicou em entrevista ao DG.
No quarto trimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024, a queda foi de 21%. Somente o primeiro trimestre do ano passado superou, em número de unidades lançadas, o volume de igual período de 2024.
Nos últimos três anos, foram quase 27 mil lotes colocados à venda pelo mercado imobiliário na capital, e 2025 foi o ano de maior baixa. Em 2023, a pesquisa apontou 9.215 novas unidades em comercialização.
“A taxa de juros é muito significativa. Atinge tanto o desenvolvedor, que vê seu empreendimento mais caro, como o consumidor final. Tem um número menor de famílias elegíveis para os imóveis lançados”, ressalta Gonçalves.
As vendas, em 2025, ficaram ligeiramente abaixo daquilo que o mercado registrou em 2024. No ano passado, conforme o levantamento, foram comercializados 11.155 terrenos, uma queda de 13% em relação a 2024, quando as vendas registraram 12.825. O número inclui demanda reprimida, de acordo com a consultoria.
Boom fora da capital
A cidade com o maior número de lotes colocados à venda em 2025 é Abadia de Goiás, com 1.752. Goiânia ainda tem protagonismo, apesar da saturação, e aparece em segundo, com 1.297, quase num empate com Senador Canedo, com 1.296. O quarto lugar é de Trindade, com 1.062.
Somadas, as três não capitais tiveram 4,1 mil novos terrenos disponíveis para compradores no ano passado. “Cada uma delas tem uma variação de padrão. É condomínio fechado ou loteamento aberto. Característica é específica para cada região. E tem o que chamamos de movimento pendular. Depois de alguns anos, esse movimento pendular pode se voltar para o vertical”, destaca Gonçalves.
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