16 de julho de 2026
INDICAÇÃO AO SUPREMO

OAB pressiona por mulher negra no STF em debate sobre diversidade na Suprema Corte

Conselheiros da OAB defendem posição oficial pela indicação de uma mulher — preferencialmente negra — para próxima vaga no Supremo Tribunal Federal
Tema foi discutido pelos conselheiros federais de São Paulo Prof Marco Antônio, Patrícia Vanzolini e Sílvia Souza - Foto divulgação OABGO
Tema foi discutido pelos conselheiros federais de São Paulo Prof Marco Antônio, Patrícia Vanzolini e Sílvia Souza - Foto divulgação OABGO

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) intensificou a pressão para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indique uma mulher negra para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Durante sessão do Conselho Federal da entidade, realizada em Salvador (BA), conselheiros defenderam que a OAB adote oficialmente uma posição pública em favor de maior representatividade feminina e racial na mais alta Corte do país.

Nos bastidores da advocacia, a avaliação é de que a próxima indicação ao Supremo poderá se transformar em um marco simbólico e institucional sobre diversidade e inclusão nos espaços de poder do Judiciário brasileiro.

O debate ocorre em meio à pressão crescente de setores da advocacia, da academia e de movimentos sociais por maior pluralidade nos tribunais superiores. Apesar de o STF já ter contado com poucas mulheres em sua história, o Brasil nunca teve uma ministra negra na Corte.

O movimento ganhou força após a possibilidade de uma nova indicação ao STF reacender o debate sobre diversidade no Judiciário. Integrantes da advocacia afirmaram que o tema deixou de ser apenas simbólico e passou a representar uma demanda institucional ligada à legitimidade democrática da Corte.

OAB quer mulher negra na próxima vaga do STF

O membro vitalício da OAB Ophir Cavalcante afirmou que a composição atual do Supremo não reflete a realidade da sociedade brasileira nem da advocacia nacional. Segundo ele, a entidade precisa assumir protagonismo no debate público sobre representatividade.

“Nós temos hoje mais de 52% do eleitorado deste país constituído de mulheres. O número de estudantes de Direito mulheres também é imenso. Estamos vivendo um STF com déficit histórico de mulheres dentro de uma representatividade nacional cada vez mais qualificada”, declarou.

O conselheiro também defendeu que a OAB leve a discussão para além dos limites internos da instituição. “Chegou a hora da gente sair dos nossos muros e dizer para a sociedade que estamos unidos numa causa importante para o país, que é uma representação maior das mulheres na Suprema Corte”, afirmou.

A conselheira Amanda Figueiredo, do Amapá, afirmou que o debate sobre igualdade de gênero exige ações concretas. Ao citar discussões recentes no STF sobre igualdade salarial, ela reforçou que o avanço da participação feminina depende de decisões práticas e não apenas de manifestações institucionais.

“Todos são a favor da igualdade, mas o desafio está em concretizá-la”, disse.

Já a conselheira Elisa Galante, do Espírito Santo, lembrou que a própria OAB aprovou, em 2013, na Bahia, a política de cota mínima de 30% de participação feminina dentro da entidade. Para ela, a defesa de uma mulher no STF representa continuidade desse processo histórico.

A ex-presidente da OAB-SP Patrícia Vanzolini também defendeu um posicionamento institucional mais firme. Segundo ela, a baixa presença feminina e negra nos espaços de poder compromete a percepção democrática do sistema de Justiça.

“Toda vez que surge a oportunidade de indicar uma mulher e essa oportunidade é perdida, nós contribuímos para o atraso geracional da igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.

STF nunca teve ministra negra

O discurso mais incisivo em defesa da representatividade racial foi feito pela conselheira federal por São Paulo Silvia Souza. Ela classificou como “negligência histórica” a ausência de diversidade racial no Judiciário brasileiro e destacou que o STF atualmente possui “10 ministros homens brancos e apenas uma mulher”.

“É importante que a Ordem assuma uma posição disruptiva e se manifeste de forma clara”, afirmou.

Silvia também sustentou que a defesa da indicação de uma mulher negra não deve ser vista como um gesto simbólico, mas como um direito respaldado por normas internacionais incorporadas à legislação brasileira.

“Não é uma reivindicação baseada na misericórdia da sociedade ou do Estado. É um direito com status constitucional”, declarou, ao citar a Convenção Interamericana contra o Racismo, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro.


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