19 de julho de 2024
Lênia Soares

Assembleia Legislativa – O “tradicional” caminho da vitória

Quatro dias antes da votação na Assembleia Legislativa de Goiás que derrubou o pedido do Superior Tribunal de Justiça para processar o governador Marconi Ferreira Perillo Júnior (PSDB), Lauro Belchior, pai do presidente do diretório metropolitano do PMDB, foi colocado à disposição do Legislativo.

 

O cargo, oferecido ao pai de Samuel Belchior, possibilita aumento da remuneração com gratificações – comumente vultosas – na Casa. Vide Diário Oficial.

A Casa – Assembleia Legislativa – é constituída por 41 deputados que dividem espaço no Palácio Alfredo Nasser.

São 41 gabinetes, 41 demandas de cargos, 41 vontades, 41 vozes influentes na sociedade.

Na regência, um governador: Marconi Ferreira Perillo Júnior.

Assim que, na tarde da última terça feira, a sessão ordinária corria… ordinariamente. Sem conflitos. Os deputados apresentavam faces plácidas, com discussões amenas e frases como a do deputado Mauro Rubem (PT), que, às 16h14 do dia em questão, ressaltou:

“Tudo aquilo que é negociado não é caro. Pra mim, não há nada mais barato que uma negociação política sendo cumprida”, disse, em comemoração à derrubada de um veto da governadoria.

Teoria generalizada que veio a calhar.

Dois minutos depois, o deputado e primeiro secretário da Mesa Diretora, Álvaro Guimarães (PR), lê o projeto seguinte a ser apreciado:

“Processo número 3564/2011, do Superior Tribunal de Justiça. Ação Penal número 670/60.”

É interrompido pelo presidente Helder Valim (PSDB, que explica:

“Processo com parecer da Comissão Especial que nega a licença para o STJ para dar curso à Ação Penal número 670, em que configura o senhor governador do Estado, Marconi Ferreira Perillo Júnior. Está em discussão.”

Em outras palavras:

O projeto nega autorização ao STJ para processar o governador Marconi Perillo por abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral.

O deputado Francisco Gedda (PTN) pede a palavra para discussão do projeto.

Nesse momento, os semblantes são outros e o silêncio predomina.

Gedda usa a tribuna para declarar o voto favorável ao processo do STJ contra Marconi Perillo.

Major Araújo (PRB) se manifesta e defende o pedido do STJ para processar o governador.

Os deputados da oposição se mobilizam. Conversam entre si.

Mauro Rubem antecipa seu voto favorável.

Helder Valim coloca o projeto em votação e orienta os deputados a votarem contra o pedido do STJ:

“Peço aos deputados da situação (para) votarem contra o pedido do Tribunal e também aos deputados da oposição, já que temos a tradição de votar em favor do governador Marconi Perillo.”

Tradição?

O presidente da Casa orientando voto?

O voto é secreto.

Até a liberação do painel para votação, 13 deputados da oposição e 23 da situação estavam no Plenário.

“Está liberado o painel para votação”, diz o presidente.

Samuel Belchior, filho de Lauro e presidente do diretório metropolitano do PMDB, o partido que se declara oposição, deixa o Plenário.

O pedido do STJ é derrubado por 30 votos a seis.

No mínimo, seis deputados da oposição negaram o pedido de investigação contra Marconi Perillo.

É… tradição.

A tradição, ressaltada por Valim, está mantida.

Tradição? Mantida!

“Sem discussões. Próximo projeto…”, segue o presidente.

Mais uma vitória do governador na Assembleia Legislativa de Goiás.

Sem mais para o momento. 


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