12 de julho de 2026
STREAMING

‘O Falso Profeta’: Como uma entrevista falsa levou o FBI a prender o líder de uma seita

Nova série documental da Netflix expõe os métodos de controle de Samuel Bateman e revela como uma operação cinematográfica desmantelou um culto em Utah
A série mostra como Samuel Bateman dividia mulheres e crianças em diferentes casas para garantir a vigilância contínua do grupo. Foto: Netflix / Divulgação
A série mostra como Samuel Bateman dividia mulheres e crianças em diferentes casas para garantir a vigilância contínua do grupo. Foto: Netflix / Divulgação

O catálogo da Netflix acaba de ganhar uma produção que está tirando o sono dos entusiastas de true crime. A nova série documental “Confie em Mim: O Falso Profeta” leva o espectador aos bastidores de um dos cultos mais obscuros e aterrorizantes dos Estados Unidos na atualidade. A produção de quatro episódios narra a história real de Samuel Rappylee Bateman, um homem que se autoproclamou profeta e usou táticas de manipulação extrema para controlar dezenas de seguidores.

Mas, para além dos métodos de controle religioso, o que chama a atenção do público é a forma como a derrocada do líder foi arquitetada. Com a ajuda de uma cineasta e de um cineasta infiltrados, uma entrevista armada acabou se tornando a peça-chave para uma operação federal.

A ascensão de Samuel Bateman

Samuel Bateman, autoproclamado líder da seita, utilizava dogmas religiosos e isolamento para exercer poder sobre mulheres e crianças. Foto: Netflix / Divulgação

O vácuo de poder na região de Short Creek, em Utah, não surgiu por acaso. A comunidade da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS) encontrava-se desestruturada desde 2011, ano em que o antigo presidente, Warren Jeffs, foi condenado por crimes sexuais contra menores.

Foi nesse cenário de divisão e vulnerabilidade que Samuel Bateman se apresentou como um novo líder. Ele começou a angariar seguidores e a justificar o polêmico casamento com diversas mulheres, inclusive menores de idade. Para consolidar seu poder, Bateman realocava famílias para dificultar o contato com o mundo exterior e usava o medo e a pressão financeira para garantir a lealdade dos membros.

A infiltração

Christine Marie e Julia Johnson. Foto: Divulgação/Netflix

A diretora da série documental, Rachel Dretzin, teve acesso a um material exclusivo de bastidores. O sucesso da infiltração ocorreu por um motivo curioso: o próprio líder religioso estava convencido de que o material serviria como propaganda para espalhar suas crenças ao mundo.

Christine Marie (especialista em seitas) e Tolga Katas (cineasta) conseguiram transitar livremente entre os fiéis. Munidos de câmeras, eles registraram o cotidiano sufocante da seita até o momento em que a justiça começou a se mover.

A emboscada

A série mostra como Samuel Bateman dividia mulheres e crianças em diferentes casas para garantir a vigilância contínua do grupo. Foto: Netflix / Divulgação

O grande mistério que prende a atenção dos assinantes da Netflix é o desfecho do caso. A operação que levou Bateman à prisão exigiu um nível de inteligência digno de produções de Hollywood.

Katas marcou um encontro com Bateman em um galpão isolado, sob a justificativa de gravar uma entrevista exclusiva com o “profeta”. Enquanto o líder acreditava que estava promovendo sua imagem, o local já estava cercado por agentes federais. A batida do FBI resultou na prisão imediata de Bateman e de seus seguidores.

A Condenação Final

Após a batida, uma ampla investigação federal comprovou os crimes. Em abril de 2024, aos 48 anos, Samuel Bateman declarou-se culpado das acusações de transporte de menores para atividades sexuais e conspiração para sequestro. Ele foi condenado a 50 anos de prisão em uma instituição federal, além de liberdade condicional vitalícia.


Leia mais sobre: / / / / / / / / / / / / Cultura / Cultura & Entretenimento