28 de maio de 2022
Henrique Morgantini

O demolidor de candidaturas

Carlos Augusto de Almeida Ramos, o notório Carlos Cachoeira, tornou-se a figura número um da política de Goiás. Da noite pro dia, descobriu-se que Cachoeira era a mão que movimentava os fantoches políticos do Estado e, em alguns casos, do Brasil. Há, aqui a ali, exageros em torno das ações do empresário (sim, ele é empresário) e contraventor. Mas, certamente, não há mentiras quanto à penetração de suas influências e sua capacidade de adquirir, com dinheiro e benefícios, o controle acionário, ideológico e prático de mandatos de vereadores, deputados, senadores, secretários de Estado e, dizem, até de assessores mais próximos e íntimos do governador de Goiás.

 

A revelação gradual das gravações da operação Monte Carlos abalou para sempre os diversos políticos e seus mandatos. Ainda não derrubou ninguém, mas há quem aposte que, quando começarem a cair, será uma cascata (com trocadilho, por favor). No entanto, se o processo de fritura ainda está acontecendo e as falas de Cachoeira e políticos que são mostradas aos poucos pela imprensa nacional, há quem já tenha percebido todo o efeito da Operação Monte Carlo.

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As primeiras vítimas do furacão Cachoeira são as candidaturas programadas para 2012, sobretudo em Anápolis e em Goiânia. Entre políticos flagrados em grampos da Polícia Federal, citados em situações comprometedoras e ainda os que já sabem o peso das relações com o contraventor, muitos foram os projetos colocados em stand by. Em Goiânia, o deputado Sandes Junior (PP) insiste que mantém seu projeto de ser candidato a prefeito, mas o que se vê é um político na tentativa de manter a sua imagem parcialmente intacta depois de tantas revelações de suas relações com Cachoeira.

 

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Mas é em Anápolis que o PSDB teve uma significativa baixa. De uma tacada, os tucanos anapolinos perderam duas candidaturas possíveis. Ambas estavam taxiando, naquele preparo para maiores e melhores voos. Ao que tudo indica, foram abatidos antes mesmo de chegar até a pista. O primeiro foi Alexandre Baldy, atual secretário de Indústria e Comércio do Estado de Goiás(SIC). O dublê de político era trabalhado como a principal opção do governo de Goiás para disputar a eleição em Anápolis contra Antônio Gomide. Ele é genro de Marcelo Limírio, da Neoquímica.

 

Com a prisão de Cachoeira e as primeiras revelações da Operação Monte Carlo, a pasta de Baldy foi a primeira a apresentar contaminações das ingerências do grupo. Mais tarde, novas revelações mostraram o quanto Baldy, Limírio e Cachoeira eram próximos. Para a imagem de um jovem político, sem amarras e vícios e com novas ideias e propostas, o ocorrido não poderia ser mais desastroso.

 

O caos é tanto que informações mais recentes indicam que Baldy corre o risco de também perder o espaço político na SIC, a fim de renovar o ambiente do governo estadual, amplamente conturbado com as gravações que mostram as negociações de emprego de Cachoeira e o ex-vereador do PSDB, Wladmir Garcez.

 

Quem também se viu abortado foi o sobrinho de Carlos Cachoeira. Vereador em Anápolis, o também tucano Fernando Cunha perdeu o climapara ser a opção da legenda na cidade. Além de qualquer relação nas gravações, a intimidade do parentesco não seria bem vista para o igualmente novo talento anapolino na politica. A ideia de ambos era ter projeção em 2012 para assegurarem espaço de destaque nas eleições proporcionais de 2014. Com o episódio Cachoeira, os projetos foram por água abaixo (pois, é).

 

O que fica de resultado, pelo menos parcial, é que as ações encobertas de Carlos Cachoeira na política de Goiás sentenciou não somente políticos e mandatos, que hoje sangram lentamente e possivelmente estarão sob a pecha das relações ilegais, mas também demoliu projetos futuros e sonhos em grande escala, tendo em vista que em Anápolis, o PSDB ficou literalmente sem opção para o lançamento de candidaturas. No cenário político de sua cidade natal, o nome de Carlos Ramos remete à água, mas o resultado é um imenso furacão.


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