15 de agosto de 2022
Educação

Novo Enem terá questões discursivas e 2ª parte com foco na área escolhida pelo estudante

Brazil - January 5, 2021: cell phone with Enem application (national high school exam), study book with math questions and pencils.
Brazil - January 5, 2021: cell phone with Enem application (national high school exam), study book with math questions and pencils.

A partir de 2024, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será aplicado de maneira bem diferente de como hoje é conhecido. Além das perguntas de múltipla escolha, questões discursivas farão parte do Exame. A prova também será dividida em duas partes, sendo a primeira com foco mais geral sobre o que é aprendido durante o ensino médio com a redação, e a segunda parte focada na área de conhecimento escolhida pelos candidatos na inscrição.

As mudanças foram sugeridas em parecer aprovado ontem, 14, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), e visam adequar o Enem ao novo ensino médio – que passa a valer este ano e deve ser implantado completamente, segundo previsão do Ministério da Educação, em até três anos.

Hoje, temos, além da redação, quatro provas obrigatórias e longas. Os alunos reclamam de cansaço. Se o ensino médio terá uma parte comum e uma parte diversificada/flexível, a orientação do conselho é que o Enem siga a mesma direção: tenha uma primeira etapa comum a todos os candidatos, e uma segunda mais diversificada”, explicou, em entrevista ao G1 Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, relatora do parecer do CNE.

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O novo ensino médio foi aprovado em 2017 e prevê uma flexibilização curricular, sendo passado aos estudantes um conteúdo geral, alinhado com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e uma grade curricular optativa – como matemática, ciências da natureza, ciências humanas e linguagens –, podendo os estudantes escolherem quais mais se identificarem.

Na teoria, o Enem seguirá a mesma lógica com uma etapa generalista e interpretativa também alinhada com a BNCC e uma segunda etapa focada em quatro áreas específicas, mais correspondes ao curso de graduação que o candidato deseja cursar. As quatro áreas são: Linguagens, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Matemática, Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Matemática, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

“A complexidade do Enem reside na segunda etapa do exame que avalia a parte diversificada, os itinerários formativos. É nela que o novo ensino médio enfrentará o seu maior desafio em relação aos objetivos de flexibilidade e diversificação do sistema”, diz o parecer do CNE aprovado ontem. A relatora do parecer também explicou que a nova versão do exame manterá a correção com base no modelo matemático chamado TRI (Teoria de Resposta ao Item), que permite identificar se as respostas dadas pelos estudantes são por conhecimento ou chute.

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Até ser definitivamente implantado muitas questões deverão ser respondidas a exemplo de como as faculdades vão usar as notas, se as escolas conseguirão adaptar o novo ensino médio e se ele, nas condições que será oferecido, não ampliará ainda mais as desigualdades educacionais entre estudantes das escolas públicas e privadas. Além disso, até o momento fica o questionamento de como as questões discursivas serão corrigidas e como fica o Enem Digital, já colocado em prática pelo MEC.

Fonte: Agência Educa Mais Brasil