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JULIO WIZIACK E MARIANA CARNEIRO - BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - "Não adianta ter inflação baixa se não tem emprego". A constatação é do novo ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, ao resumir a sensação ainda negativa sobre a economia. 

Aos 52 anos, o economista assume o ministério após a saída de Henrique Meirelles, que tenta viabilizar sua candidatura na eleição deste ano.

"Eu estou bem, você está bem. Nosso poder de compra aumentou, porque estamos empregados e, no final do mês, o dinheiro está aqui. Agora, e os outros 12 milhões de pessoas que estão sem emprego? Esse é o lado triste do que foi feito, porque jogou 13 milhões de pessoas no desemprego no pico [da crise]. Como tem sensação de bem-estar?", disse Guardia, em entrevista à Folha de S.Paulo.

Ele contou que a recessão afetou também a sua família: "Em certo momento, todos os meus cunhados e irmãs estavam desempregados. Isso afeta a vida das pessoas".

O novo ministro responsabiliza a gestão Dilma Rousseff pela crise aguda em que o país mergulhou e, apesar de o desemprego ainda permanecer elevado, ao redor de 12%, diz que o país está no caminho de saída da recessão.

"A saída de uma crise dessa gravidade não é da noite para o dia. Infelizmente, ainda tem gente sem emprego. Agora não vamos perder a perspectiva da causa [da crise]. O que levou essas pessoas ao desemprego? Não é essa política. A política que estamos fazendo está levando o país ao crescimento. Se não continuar a crescer não vai tirar essas pessoas do desemprego.".

Guardia afirma que a inflação mais baixa aumenta a renda das pessoas no andar de baixo e, sem isso, o quadro seria ainda pior.

"O ponto central é: como sai [da crise]? Eu sei como não sai. Não será com mais gasto público e desequilíbrio fiscal. Essa é a receita certa do fracasso, que nós já tentamos no passado. A matriz macroeconômica [política econômica de Dilma], que aumenta gastos e reduz impostos, é o que nos trouxe a esse grave problema social. Foram erros atrás de erros que nos levaram a essa situação grave".

Olhando à frente, o ministro prevê volatilidade nos mercados a depender do descompromisso dos candidatos com o ajuste nas contas do governo, cujo principal desafio segue sendo a reforma da Previdência.

"Não vejo saída para o crescimento sustentado sem a continuidade das reformas", afirmou.

Nos quase dois anos desde que chegou ao governo, a equipe econômica coleciona feitos, como a aprovação do teto de gastos e a reforma trabalhista.

Mas importantes projetos ou ficaram pelo caminho ou avançam a ritmo muito lento. São exemplos a reforma da Previdência, a tributação dos fundos de investimento exclusivos fechados e a reoneração da folha de pagamentos.

Guardia afirmou, porém, que não se trata uma agenda de plano B que administrará na Fazenda.

"Deixa eu discordar. Falar que [o pacote de reformas] ficou pelo caminho é um exagero enorme. Um monte de coisas foram feitas", afirmou. "Não é um plano B, é uma continuidade das coisas que já estávamos trabalhando aqui."

A oito meses do fim do governo, ele enumerou cinco projetos que estão em andamento e que devem maturar na sua gestão: a privatização da Eletrobras, simplificação tributária e melhoras no funcionamento do mercado de crédito, além da autonomia do Banco Central e o fim da disputa com a Petrobras nas áreas de exploração de petróleo da chamada cessão onerosa.

"Acho que o período crítico são os próximos três meses porque o 'timing' dessas coisas, Eletrobras e cessão onerosa, exige avançar para ter tempo de realizar as operações subsequentes", afirmou. "Não adianta esperar até outubro. Tem um caminho antes que, de fato, o período eleitoral comprometa a capacidade de resposta do Congresso."

O ministro disse que sua função será explicar e mostrar os impactos dos projetos que considera importantes. Caberá à área política "mobilizar a base do governo".

No caso da Eletrobras, Guardia afirmou que as conversas com o relator José Carlos Aleluia (DEM-BA) começaram nesta quinta-feira (14) para tentar adequar as expectativas da área econômica à viabilidade política.

Segundo ele, o decreto que deveria ter sido publicado nesta semana e acabou segurado pela área política do governo não impede que o processo de estudos para a venda das ações da estatal prossiga.

"Em um processo com uma complexidade dessas, não adianta, não vai conseguir fazer as coisas do que jeito que se quer, tem que negociar, tem que arredondar as coisas, se não atrapalha".

A aprovação do projeto de reoneração da folha de pagamentos, afirmou, poderia ajudar o próximo presidente com uma receita de R$ 16 bilhões no ano que vem.

Segundo ele, as metas fiscais deste ano serão cumpridas, pois já não estão contando com as medidas para fechar as contas deste ano.

"Estamos olhando para o ano que vem, não é nosso governo mas é nossa responsabilidade fazer isso". (Folhapress) 

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