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NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A retomada da economia ainda não chegou à renda dos brasileiros, que caiu 0,5% em 2017, considerando salários e outras fontes, como aposentadoria, pensões, aluguéis e programas sociais. A queda foi puxada pelos salários, ainda como reflexo da crise do mercado de trabalho.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio mensal dos brasileiros que declararam ter alguma renda em 2017 foi de R$ 2.112, ante R$ 2.124 no ano anterior. Considerando apenas aqueles que trabalham, a queda foi de 1,3%, para R$ 2.237.

As informações são da pesquisa Rendimento de Todas as Fontes, feita com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua e divulgada pela segunda vez pelo IBGE. Por isso, não há comparações de médio e longo prazos.

"Os números mostram que o Brasil vinha de uma situação muito ruim e continuou muito ruim", disse o economista da FGV Fernando de Holanda Barbosa Filho. "A recuperação do fim de 2017 ainda não teve efeito na renda."

Para o Codace (Comitê de Datação de Ciclos Econômicos) da FGV, o Brasil começou a sair, no último trimestre de 2016, de um período recessivo que durou 11 trimestres. Em 2017, o PIB teve alta de 1%, puxado pela agropecuária e retomada de investimentos.

A pesquisa do IBGE, porém, mostrou que a perda de renda atingiu desde os mais ricos aos mais pobres. No grupo que compreende os 1% com maior renda, a queda foi de 2,9%, para R$ 27.213, em média.

Já entre os 5% mais pobres, contingente que soma cerca de 4,5 milhões de pessoas, a situação foi pior: queda de 38,16%, para R$ 47, ante R$ 76 no ano anterior.

A perda de poder aquisitivo foi puxada pela região Sudeste, mais afetada pela crise da indústria. Nas outras quatro regiões, houve estabilidade ou leve recuperação.

"Houve perda expressiva no emprego com carteira assinada, muita gente que trabalhava em setores com altos salários, como o petróleo, e problemas de pagamento a servidores", disse o coordenador do IBGE, Cimar Azeredo.

DESIGUALDADE

O cenário levou a uma queda da participação da renda do trabalho no rendimento médio do brasileiro, que passou de 74,8% para 73,8%. Em relação a 2016, o número de brasileiros que recebeu rendimentos de todos os trabalhos caiu 0,4%, para 86,785 milhões. Já os que têm outras fontes de renda cresceu 1,3%, para 49,957 milhões.

Em 2017, o rendimento médio de outras fontes foi de R$ 1.382, alta de 2,3% em relação a 2016. Neste caso, a alta foi verificada em todas as regiões.

Entre as pessoas que declararam ter recebido outras fontes de renda, 14,1% citaram aposentadorias e pensões. Outras 2,4% disseram receber pensões alimentícias, doações ou mesadas e 1,9%, aluguéis e arrendamentos.

Outros 7,5% dos entrevistados disseram receber rendimentos como seguro-desemprego, programas de transferência de renda ou rendimentos de poupança.

Apesar da crise, 326 mil domicílios deixaram o Bolsa Família.

A pesquisa mostra que a desigualdade de renda no país continua alta e deu sinais em 2017 de que pode aumentar. A parcela dos 1% mais ricos ganhou, em média, 36,1% a mais do que os 50% mais pobres.

A proporção é menor do que os 36,3% de 2016, efeito da perda salarial dos mais ricos no Sudeste. Nas outras regiões, houve aumento da desigualdade, mas o IBGE sustenta que a variação está dentro da margem de erro.

Em 2017, os 10% mais ricos concentraram 43% da massa de rendimentos do país, que somou R$ 263 bilhões.

"Para mudar essa situação, o Brasil precisa gerar emprego. E emprego decente", disse Azeredo.

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