27 de maio de 2022
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Nomeação na UFG demonstra desprezo de Bolsonaro pelas normas democráticas, avaliam cientistas políticos

Foto: Divulgação/UFG
Foto: Divulgação/UFG

A nomeação da professora Angelita de Lima para a reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG), pelo governo federal, por meio do Ministério da Educação, causou revolta na comunidade acadêmica da instituição, que elegeu, por meio de consulta pública, a professora Sandramara Chaves. Em entrevista ao Diário de Goiás, cientistas políticos e professores da Universidade afirmaram se tratar de um desprezo por parte do presidente Jair Bolsonaro pelas normas democráticas.

“Considero que o governo Bolsonaro, mais uma vez, desrespeitou o processo democrático estabelecido dentro da UFG. A nomeação da terceira colocada na lista tríplice afronta, a meu ver, a vontade da comunidade universitária, cuja autonomia é garantida pela Constituição Federal”, destacou Luiz Signates, cientista político, pesquisador e professor de Comunicação da instituição.

O profissional destaca, entretanto, a competência da nomeada para o cargo, com a ressalva de que tal escolha não traz nenhum benefício a Bolsonaro, visto que Angelita é filiada ao PT. “A escolha do presidente, a meu ver, afrontou a vontade da universidade sem qualquer ganho político para ele. Desagradou a comunidade universitária por inteiro e, pela escolha feita, nada ganha com a reitora nomeada”, frisou Signates.

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“A professora Angelita é extremamente competente e comprometida com a universidade. Ela deverá assumir a reitoria da UFG e certamente terá o apoio da universidade para enfrentar o que para ela, com certeza, é um constrangimento político”, acrescentou o cientista.

Autoritarismo

Para o também professor da UFG e cientista político Guilherme Carvalho, se trata de uma atitude autoritária e antidemocrática, mesmo estando dentro do ponto de vista formal. “Há como se jogar dentro da Constituição e também não ser democrático. Isso é bem perceptível e essa perspectiva se adensa ainda mais se você parar para pensar que a autonomia universitária é o espelhamento da democracia liberal no interior da Universidade. Na verdade, um dos redutos de espaços democráticos que se tem para fora dos ritos formais de uma eleição”, elucidou.

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“De modo geral, o desrespeito a uma decisão da maioria, uma decisão tomada em grupo, em um espaço público como é a Universidade, nada mais é do que um desrespeito à própria democracia. Então, apesar de se valer de instrumentos constitucionais, foi sem dúvida nenhuma uma das atitudes mais autoritárias contra a educação que nós assistimos nos últimos anos de governo Bolsonaro”, acrescentou o profissional.