20 de maio de 2024
BELA VISTA • atualizado em 09/05/2024 às 07:29

No fim do segundo mandato, Nárcia Kelly vai leiloar quatro áreas que somam R$ 5,3 mi

Leilão inclui antigos hospital, Câmara, delegacia e prédio de 3 andares; oposição critica o momento escolhido, “no fim do segundo mandato”
Prefeita lançou editar do leilão para a venda das áreas faltando sete meses para deixar o cargo Foto reprodução redes sociais
Prefeita lançou editar do leilão para a venda das áreas faltando sete meses para deixar o cargo Foto reprodução redes sociais

Faltando sete meses para encerrar seu segundo mandato, a prefeita de Bela Vista de Goiás, Nárcia Kelly (PP), vai leiloar quatro áreas públicas. O edital do leilão prevê uma arrecadação de no mínimo R$ 5.389 milhões, considerando os lances mínimos pelos três lotes oferecidos. As ofertas podem ser feitas no dia 27 de maio. Às 9h será encerrado o primeiro lote e a cada três minutos os outros três.

Os lances foram estabelecidos pelo valor da avaliação dos imóveis à venda, conforme o edital do leilão. A justificativa para a venda é a necessidade de levantar recursos para a construção de um cemitério novo na cidade. A estimativa é de que o atual cemitério esgote a capacidade de meados de 2025 até o final do próximo ano.

Prefeita explica o leilão de áreas em Bela Vista

“Só podemos vender para comprar outra área pública e precisamos comprar uma nova área e construir um novo cemitério”, destaca a prefeita ao Diário de Goiás. Além da compra do novo terreno e da obra, Nárcia Kelly diz que o recurso também será aplicado na construção das vias de acesso, que incluem uma avenida. “E se sobrar algum recurso dessa venda, só podemos investir na Previdência dos servidores da Prefeitura de Bela Vista”, acrescentou.

Ela frisou que o processo foi aprovado pela Câmara Municipal da cidade no ano passado. Sobre só ter encaminhado o leilão agora, ela explicou que o processo é complexo e precisou atualizar todas as matrículas dos imóveis. “Até fazer um certame para escolher uma empresa leiloeira, demora meses e eu tenho que trabalhar pela população até dezembro de 2024”, justificou. Além disso, a prefeita acrescentou que não poderia ter iniciado o processo este ano, que é eleitoral, mas iniciou em 2023.

Questionada se não haveria outras destinações para os prédios em fase de leilão e levantar os recursos em outras fontes, ela disse que o Ministério Público recomendou que, se fosse utilizar os prédios, que são antigos, “teria de fazer uma grande reforma porque são antiquíssimos”.

Nárcia Kelly acentuou que foi construído um novo hospital em Bela Vista justamente pela decadência do outro. E ainda argumentou que o valor para reforma seria muito elevado para o município “que não tinha recursos para isso. Quem comprar vai ter que investir muito”. A falta de reforma, assegura ela, também cria impedimentos para a destinação a outros órgãos públicos.

Segundo ela, não foi necessário submeter o processo de leilão à avaliação do Ministério Público.

Os lotes

Entre os locais oferecidos, o primeiro lote tem o antigo hospital Cristo Redentor, na avenida Pedro Ludovico, no Centro. É o maior lote, com área de 1.925 metros quadrados.  O lance mínimo para ele também é o mais elevado do leilão, de R$ 3,5 milhões.

Também está ofertado o prédio da antiga delegacia de Polícia, na Rua Sussuapara, no Centro. Com área de 303 metros quadrados. O lance mínimo é de R$ 515 mil.

Um prédio de apartamentos de 101 metros quadrados, dividido em 3 andares, com 144 metros quadrados  de área total, localizado na Praça José Lobo, é mais um na oferta. O lance mínimo é de R$ 793,4 mil.

O prédio onde funcionou a antiga Câmara Municipal e hoje abriga a Biblioteca Municipal, na Rua Dr. Joaquim Faleiro, também vai a leilão. Com área de 280 metros quadrados, o lance inicial para ele é de R$ 581,8.

Questionamento

Ao menos um dos seis pré-candidatos à Prefeitura nas eleições desse ano em Bela Vista já se manifestou contra a venda das áreas públicas. O DG está aberto à manifestação de todos.

O advogado e ex-prefeito Marcos Teles (PT), chamou o leilão de “preocupante”. “A prefeitura gasta muito dinheiro com aluguel para o funcionamento de vários órgãos municipais, e, ao mesmo tempo, dispõe de bens que ela tem?”, questiona ele. “A prefeita está no final do seu segundo mandato. Faltam poucos meses para o fim, porque fazer isso próximo das eleições, após sete anos de oportunidade?”, questionou.

“Penso que essa situação deveria ser melhor discutida, debatida, para ver se realmente é necessário vender, ou se existem outras fontes de recursos para fazer o novo cemitério”. Para ele, a venda do antigo hospital é o mais grave. “Esse é o absurdo maior. Não temos aqui em Bela Vista uma UPA. Temos duas UBSs funcionando em locais muito apertados, no Centro”, afirma.

Para ele, o prédio do antigo hospital daria para abrigar unidades de saúde que poderiam beneficiar a população. Além disso, o pré-candidato defende que o prédio da antiga delegacia poderia ser utilizado para abrigar o Conselho Tutelar.

“A prefeitura paga aluguel do imóvel onde funciona o Conselho Tutelar. Penso que a Câmara Municipal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios precisam olhar isso melhor e suspender esse leilão para que o novo prefeito em 2025, e os novos vereadores possam discutir isso melhor.

Já o presidente da Câmara de Bela Vista, Edione Marcos de Campos, o Dione do Cará (Progressistas), também na disputa, disse que apoia a iniciativa de Nárcia Kelly.

De acordo com ele, a exigência de que o valor a ser arrecadado com o leilão seja revertido na compra de outra área pública, foi apresentada pelos vereadores no ano passado.


Leia mais sobre: Bela Vista de Goiás / Cidades / Política

Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.