Deve deslanchar a partir de quarta-feira da próxima semana (10) a negociação entre empregados e donos de supermercados para definir sobre o fechamento ou não dos estabelecimentos aos domingos em Goiás. O procurador do sindicato dos Empregados do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Secom-GO), José Newton Carvalho, disse que vai levar a proposta na quarta-feira (11) para o sindicato patronal, mas antecipou que as empresas “terão de aceitar, ou pelo amor, ou pela dor”.
Ele explica que o sindicato só tem esse ponto de negociação este ano. E que a determinação é por assegurar o fechamento para folga dos empregados aos domingos ou vai ser utilizada uma decisão sobre jornadas em feriados que já está transitada em julgado (definitiva) pela qual, segundo José Newton, as empresas não podem abrir nos feriados.
“Então, nessa convenção [de 2026], nós vamos trocar. Vamos permitir abertura em feriado até 14h, e determinar o fechamento em todos os domingos, sem direito a acordo”, afirmou ele em entrevista ao Diário de Goiás nesta sexta-feira (6). O sindicalista avalia que a realidade da mão de obra envolvida nesse trabalho é outra e que os profissionais das gerações mais novas não estão suportando jornadas que não incluam folgas aos domingos.
“Vamos determinar a aplicação da norma corrente. Não se abre precedente. Quanto aos feriados, vamos permitir que abram todos os feriados até às 14h, pagando 100%, exceto Dia do trabalho, que é dia de 1º de maio, no Ano Novo, e Natal, 25 de dezembro [quando não poderão abrir também]. A categoria laboral tem esse poder, porque o feriado já é fato julgado”, detalhou o procurador do Secom-GO.
Ele finalizou dizendo que o objetivo central da negociação desse ano é “melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos empregados após uma espera de 25 anos”
Do outro lado, das empresas de supermercados, essa proposta deve ser negociada, mas por enquanto não tem simpatia. Quem afirma é o superintendente do Sindicato das Empresas de Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Alessandro Jean Pereira de Faria.
Ele relatou ao DG que as manifestações recebidas até agora pelo sindicato, que abrange todo o Estado, são contrárias ao fechamento nos domingos. Diferente do procurador do Secom-GO, ele disse que não vê nenhuma situação jurídica que obrigue as empresas a aderirem se elas não se manifestarem a favor disso nessa fase de acordo.
Ele afirmou, inclusive, que em caso de não ocorrer acordo, o assunto nem irá para a Justiça do Trabalho. “Não vai porque para ir, tem que ser em um dissídio, e um dissídio tem que ter comum acordo entre o Sindicato Patronal e o Sindicato Empregado. Se a gente não acordar aqui, a gente nem vai para lá [Justiça do Trabalho]”, explicou.
O representante das empresas disse que não vê um acordo como algo impossível, mas afirmou que a tendência é seguir outros estados, onde o fechamento ainda não foi aceito pelas empresas.
Alessandro disse ainda que aguarda a definição dos empregados ser levada ao sindicato patronal, através de uma minuta, para que a rodada de entendimentos seja iniciada na próxima semana.
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