O prefeito Sandro Mabel (UB) negou que a prefeitura de Goiânia vá criar uma taxa de drenagem para financiar investimentos no que é classificado pelo Paço como maior projeto de drenagem urbana da história da capital.
Durante entrevista coletiva em que anunciou a primeira bacia de contenção da Marginal Botafogo, que receberá investimento de R$ 40 milhões para reduzir os riscos de inundação no local, Mabel foi taxativo em rejeitar um novo tributo. Segundo ele, para arcar com os custos do plano de drenagem, o município não precisará estabelecer novo imposto.
“Não vou cobrar taxa disso. A municipalidade tem que fazer isso. Temos muito espaço, gordura para ir cortando. São coisas que têm financiamento de longo prazo. Não podemos colocar mais uma taxa. É obrigação da cidade fazer bem feito”, disse.
Mabel foi muito criticado no início do seu mandato quando criou a taxa do lixo, uma exigência do Marco Legal do Saneamento no país. Ele também sofreu desgastes depois de a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) cobrar taxas para grandes reuniões em parques da capital e atuou para revogar a lei que vinha do período de Rogério Cruz.
“Essa taxa de drenagem não vamos fazer. Estamos reservando dinheiro, buscando financiamentos. São financiamentos de 20 anos, 25 anos. O contribuinte não consegue pagar tudo que é taxa. A prefeitura tem que economizar um pouco e buscar o superávit, que é o que estamos fazendo, para fazer as obras que precisam ser feitas”, frisou.
Plano de drenagem
A primeira bacia de contenção da Marginal Botafogo receberá investimento de R$ 40 milhões e terá capacidade para armazenar 100 milhões de litros de água da chuva, com o objetivo de reduzir os alagamentos que historicamente afetam a região durante o período chuvoso.
A obra faz parte de um plano estruturante para toda a bacia do Botafogo, que prevê investimentos entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões nos próximos anos. A estratégia busca enfrentar um problema que se agravou ao longo das últimas décadas em razão da expansão urbana e da crescente impermeabilização do solo em bairros como Setor Bueno, Jardim América e Pedro Ludovico.
Segundo o prefeito Sandro Mabel, o projeto representa uma mudança de paradigma na forma como Goiânia enfrenta os desafios causados pelas chuvas intensas. A primeira estrutura será implantada entre a Rua Nonato Mota e a Avenida 2ª Radial, nas proximidades do Jardim Botânico, um dos pontos estratégicos da bacia hidrográfica.
Atualmente, mesmo com a melhoria da microdrenagem e a limpeza constante de galerias e bocas de lobo, grande parte da água captada na região central e em bairros densamente urbanizados acaba convergindo para a Marginal Botafogo. O volume excedente sobrecarrega a infraestrutura existente, provocando inundações, transtornos ao trânsito, prejuízos materiais e riscos à população. Além disso, a marginal registrou desmoronamento em alguns pontos e precisou ter trechos interditados.
Leia mais sobre: Sandro Mabel / taxa de drenagem / Cidades

