21 de julho de 2024
ELEIÇÕES 2024

Não se pode ignorar que eleições de 2024 e 2026 estão associadas, diz presidente do MDB de Goiânia

Agenor Mariano, em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás reconhece a proximidade da data limite, mas diz que governador tem que cuidar do capital político que vai transferir
Presidente do MDB de Goiânia fala sobre o processo de escolha do candidato para 2024 e como isso está ligado a 2026 - Foto Diário de Goiás
Presidente do MDB de Goiânia fala sobre o processo de escolha do candidato para 2024 e como isso está ligado a 2026 - Foto Diário de Goiás

Não se deve esconder do eleitorado a relação entre as eleições de 2024 e as de 2026, avalia Agenor Mariano. Presidente do MDB de Goiânia, ele é um dos líderes partidários à frente da definição dos nomes, junto com o governador Ronaldo Caiado (UB) e o vice-governador Daniel Vilela, seu colega de legenda.

Ex-vereador, vice-prefeito na gestão de Paulo Garcia (PT) e ainda secretário nas gestões de Iris Rezende (MDB), Agenor Mariano concedeu entrevista nesta quinta-feira ao editor chefe do Diário de Goiás, Altair Tavares. Ele falou sobre a proximidade do fim da janela partidária e da expectativa quando à escolha do pré-candidato da base do governador para disputar a Prefeitura de Goiânia nas eleições deste ano.  Confira!

Altair Tavares – Chegamos no momento da janela partidária. Quem vai representar o MDB nas eleições desse ano na disputa pela Prefeitura de Goiânia?

Agenor Mariano – O MDB tem a tradição de lançar candidatos para a prefeitura de Goiânia. E se você observar, quem a gente lançou ou apoiou, foi eleito nas últimas cinco eleições.

Altair Tavares – Mas com Iris Rezende, com Maguito Vilela, era diferente, eram dois caciques, dois ícones…

Agenor Mariano – Não era só por serem dois caciques, dois ícones, mas também pela capacidade gerencial e administrativa que sempre tiveram. A questão é que é, sim, interesse do partido. Nos temos interesse em lançar candidato.  E temos um pré-candidato. Jânio Darrot é pré-candidato, filiado ao MDB. Mas não podemos esquecer que o MDB hoje faz parte da base aliada do governador Ronaldo Caiado. Nos, inclusive, fazemos parte da chapa do governador. Nos temos o presidente estadual do partido, Daniel Vilela, como vice-governador do governador Ronaldo Caiado, então não é possível numa construção política os partidos saírem separados.

Altair Tavares  – Não tem lógica política andar separado…

Agenor Mariano – Não tem lógica, então alguém vai ter que ceder. Ou o MDB, ou o União Brasil. Agora, desprovido das vaidades partidárias, a gente precisa é ganhar a eleição. O grupo político trabalha para ganhar a eleição, para oferecer para a cidade a melhor oportunidade de voto. Alguém que, se ganhar a eleição, vai recuperar de fato a cidade da tragédia que acometeu Goiânia.

Altair Tavares  – Mas há um grande problema. Não tem nem Íris, nem Maguito

Agenor Mariano –  Pois é, mas precisamos de um nome novo. Até porque os dois já eram conhecidos. Não temos dificuldade de associar o nome lançado pelo MDB aos nomes de Íris e de Maguito. Até porque a cidade conhece bem a capacidade gerencial e administrativa e as pessoas que conviveram e ajudaram a administrar a cidade junto com Iris e com Maguito nos processos gerenciais e administrativos que os fizeram bem sucedidos estão aí. Essa é a formação do partido. O partido é longevo Altair. Não é aquele negócio que entra e sai todo dia um. O mais novo do partido sou eu que estou desde 1995 nessa mesma agremiação partidária. Há uma fidelidade partidária. E uma coisa que muitos outros partidos não têm são quadros. Ninguém discute o tanto de quadros que o MDB tem. A capacidade de chegar e provocar mudanças, recuperar finanças

Altair Tavares – Mas como chegar nesse nome

Agenor Mariano –   A escolha desse nome hoje é convencionado que está sob a batuta do governador Ronaldo Caiado junto com o presidente do MDB estadual, Daniel Vilela. Então, o governador está viajando. Deve estar retornando agora e certamente vai voltar às rodadas. Certamente eu reconheço a preocupação do governador. A preocupação é que ele está fazendo um belo governo, com mais de 70% de avaliação positiva de seu governo na Capital. As pesquisas mostram que ele tem, sim, uma capacidade muito grande de transferência de voto. Então qual é a preocupação de quem está nessa posição não é só ganhar a eleição. É a seguinte: eu vou emprestar meu capital político, vou abraçar um cidadão ou uma cidadã e colocar que ele ganhe a eleição e no dia seguinte? Vai conseguir tirar a cidade do atoleiro que ela está? Essa é a preocupação.

Altair Tavares – O senhor ouviu o governador dizer que não pode errar. Nem ele, nem Daniel

Agenor Mariano – Ninguém pode errar [na escolha]. Não tem segunda chance. O eleitor hoje que está sofrido, desesperançoso quando vê essa situação da cidade… E estamos falando dessa eleição municipal, mas em cima disso, dentro de uma responsabilidade que lhe é cara, o governador tem que pensar bem quem será essa pessoa.

Altair Tavares  – Na sua opinião, o tempo dessa  decisão não está ficando tarde demais?

Agenor Mariano – Os processos são etapas. A primeira etapa são as filiações partidárias que estão acontecendo. Seja de candidatos a vereador, seja de candidatos a prefeito, estão acontecendo até dia 6. Terminado dia 6, teremos o quadro bem desenhado de filiações. Não vai mais mudar o processo eleitoral de vereador, porque às vezes uma decisão de candidato a prefeito pode influenciar nas composições de chapa para vereador. Passado o prazo das composições de chapa, acredito eu que o governador vai estartar de fato o processo com a decisão do nome. Teremos então um nome do qual não tenho dúvidas disso, seja do MDB ou de outro partido da base, ou do União Brasil, será um nome abraçado pela base e será apoiado com veemência para a prefeitura de Goiânia.

Altair Tavares – Uma coisa é a vontade de cúpula de trazer o nome. E o eleitor? Como fica a combinação com o eleitor? O que o eleitor quer?

Agenor Mariano – Pois é, o nome que será trazido está baseado também em pesquisas, quantitativa, qualitativa, em capacidade de gestão. Porque é justamente isso, um tripé. Não é porque eu tenho o poder de decidir que decidirei ao meu bel-prazer. Não. É porque eu tenho o poder de decidir que eu vou analisar como fica o povo, como será a aceitação dele, como ficam os processos. O governador não quer errar na decisão e ele tem bagagem, estofo, experiência para tomar a melhor decisão possível. A vida é feita de possibilidades, do que é possível.

Altair Tavares  – Para fechar essa questão, o que importa mais: essa eleição agora ou tratar uma articulação, uma composição visando 2026, uma segurança para Daniel Vilela, uma candidatura a reeleição também… Uma eleição está atrelada à outra?

Agenor Mariano – Totalmente, na minha opinião. Não se desassocia tudo isso que está acontecendo. 2026 está sendo debatido justamente agora, não há que se tentar esconder isso do eleitor.

Altair Tavares  – Quem quiser escapar disso está enganando

Agenor Mariano – Sim, está enganando. E essas são as regras do jogo. Você joga conforme a regra. Se a regra for mudada, a gente vai mudar. A regra hoje é essa. Nos temos no país eleição de dois em dois anos. Se nós tivéssemos uma eleição unificada, que eu até acho que seria interessante. Se eu fosse um deputado federal, um senador, eu trabalharia para ter essa eleição unificada. Mas não é, então não tem como dissociar uma eleição da outra. E quando terminar a eleição de governador já vai estar se pensando na eleição seguinte para prefeito dois anos depois. Isso não se desassocia.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.