21 de julho de 2024
Lênia Soares

Na Alego, uma CPI com problema de foco?

Antes mesmo de ser instalada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que objetiva investigar o relacionamento de autoridades do Estado com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, já se apresenta desnorteada na Assembleia Legislativa de Goiás.

O foco das investigações, segundo o autor do requerimento, deputado Helder Valim (PSDB), será os contratos firmados entre a empresa Delta Construtora e algumas prefeituras goianas. Até o mensalão já foi discutido pelos prováveis membros da CPI, mas a influência na administração estadual ainda não foi levada à tribuna.

A proposta de instalação de uma Comissão para investigar relacionamento político com a contravenção não foi estreada pela Alego. Deputados de São Paulo e do Paraná anteciparam iniciativas semelhantes, porem, com foco de investigação no governo estadual. Os parlamentares paulistas e paranaenses não ousaram, até o momento, se apropriarem das funções que competem às Câmaras Municipais e até mesmo às Federais.

Além da descrença natural pelo histórico das CPIs instaladas pelos deputados goianos, a população conta também com a esquizofrênica indefinição de funções dos homens públicos no Estado. Durante o enfrentamento da grande crise política, de fato não se sabe mais o que faz um vereador,um prefeito, um deputado ou um governador.

A revelação sobre a condução da administração pública tem vindo em doses homeopáticas, mas suficientes para levar à população o descrédito epidêmico que pode revolucionar o contexto político atual. Em menos de um mês, uma mobilização que teve início nas redes sociais conseguiu levar quase oito mil pessoas às ruas em protesto ao governo tucano de Marconi Perillo. O sucesso da manifestação de caráter político com organização virtual é inédito em Goiás.

Mas de fato só temos a espera. Espera pelo desfecho da nova CPI, pela revelação da contravenção em Goiás, pela mudança na postura política dos políticos e do cidadão, pelo fim da corrupção, por um Estado onde o bem prevaleça e todos possam viver felizes para sempre.

Até lá, restam-me as perguntas:

Qual a serventia desta nova CPI?

Qual objetivo dos parlamentares?

Qual será o critério para investigações?

O que os deputados sabem que a Polícia Federal já não investigou?

A CPMI influenciará nas investigações da Alego?

Por que os deputados de oposição estão calados ultimamente? …


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