19 de maio de 2022
Lênia Soares

Muquém: Marconi não vai; Bispo critica “vírus da corrupção” em Goiás

Em plena crise na administração de Marconi Perillo (PSDB), as bênçãos de Nossa Senhora D’Abadia foram ignoradas pelo líder “maior” do tucanato em Goiás. O governador faltou à missa de encerramento da Romaria de Muquém. Em contrapartida, rezaram juntos – e por motivos semelhantes – a oposição, representada por Vanderlan Cardoso, o “novo eixo”, representado por Ronaldo Caiado (DEM), e o sucessor direto em caso de queda do governador, José Eliton Júnior (DEM). Uma corrente religiosa pela mudança da política goiana.

 

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Católico, o governador costumava frequentar a romaria acompanhado da primeira-dama, Valéria Perillo. Segundo ele, o hábito religioso foi cultivado pela própria mulher, que participa da festa há muitos anos. Desta vez, porém, a tradição familiar ficou em segundo plano, já que apesar de constar o evento em sua agenda, Marconi não apareceu. Nenhuma justificativa foi divulgada por sua assessoria. Informalmente, estaria o receito da reação negativa dos romeiros à divulgação de mais um vídeo constrangedor para Marconi. Na noite anterior, a Band mostrou diálogo em que o tucano convida o ex-presidente da Valec, Juquinha das Neves, para uma secretaria. Juquinha foi preso na Operação Trem Pagador, acusado de desviar R$ 60 milhões nas obras da ferrovia Norte-Sul, no Centro-Oeste.

O líder do Executivo perdeu a missa e o recado do bispo Dom Messias dos Reis Silveira. Em um discurso de evidente tom político, o responsável pela diocese de Uruaçu cobrou honestidade na postura dos candidatos e eleitores. “Muitos virão em busca de votos dos romeiros, mas, neste momento com tantos problemas de corrupção, temos que demonstrar rigidez em nossa postura. Candidato que compra voto não é confiável. Eles querem apenas aproveitar da fraqueza do eleitor”, afirmou.

O  bispo falou sobre o mensalão e sobre a CPI do Cachoeira. Claro e objetivo, Dom Messias criticou os últimos fatos ocorridos no Estado, clamando a ajuda dos fieis para promover a mudança. “O povo precisa de respostas. O vírus da corrupção invade tudo. Quem ama a Deus e ama a família deve combater duramente esta prática”, acrescentou.

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Uma missa e uma aula de formação política. Nas primeiras filas, além dos já citados, Vilmar Rocha (PSD), Sérgio Cardoso (PSDB), Hélio de Souza (DEM), Afreni Gonçalves (PSDB), Nelson Henrique, Luiz Teixeira (PMDB) e Wilton (DEM) – candidatos a prefeito e vice em Niquelândia -, Gilberto Naves e Mara Naves – casal de Goianésia, onde Gilberto é candidato à reeleição -, e Pedro Chaves (PMDB).

A festa do Muquém é uma das mais tradicionais do Estado, ficando atrás, em quantidade de visitantes, apenas da de Trindade (dedicada ao Divino Pai Eterno). A história da peregrinação remonta ao final da década de 1740. O governador do Estado precisará esperar o próximo ano para colocar sua fé em ação. Nos bastidores, porém, a informação é de que Marconi tem participado, com frequência, das missas da Paróquia de São Francisco de Assis, em Anápolis. Santo novo para tempos novos de Cachoeira.

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