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Park Geun-hye
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A ex-presidente da Coreia do Sul Park Geun-hye, 66, foi condenada nesta sexta-feira (6) a 24 anos de prisão por abuso de poder e corrupção, devido a sua participação em um escândalo que já tinha provocado seu impeachment em março de 2017.

Ela foi considerada culpada de ter participado de um esquema que pressionou 18 conglomerados empresariais a doarem um total de 77,4 bilhões de wons (R$ 240 milhões) para duas fundações controladas por uma amiga, Choi Soon-sil.

Park, assim como Choi, também foi condenada por receber propina de algumas dessas companhias, entre elas 7 bilhões de wons (R$ 21 milhões) da Samsung, embora a corte tenha decidido que os procuradores não conseguiram provar o que as empresas receberam em troca pelo pagamento.

O herdeiro da Samsung, Lee Jae-yong, 49, foi condenado em agosto a cinco anos de prisão pelo mesmo caso. Diversos empresários também enfrentam acusações.

O tribunal disse ainda que ela se aliou a outras autoridades do governo para impedir que artistas críticos a sua gestão tivessem aceso a verbas públicas e que passou documentos sigilosos para Choi. Park terá ainda que pagar uma multa de 18 bilhões de wons (R$ 56 milhões).

"A acusada abusou de seu poder presidencial e da confiança do povo e, como resultado, trouxe um grande caos as questões estatais, que levaram ao impeachment da presidente, o que não tem precedentes", disse o juiz Kim Se-yoon ao anunciar a sentença. Ele disse ainda que ela não mostrou sinais de arrependimento pelos crimes.

Park, que está presa desde o dia 31 de março de 2017, nega todos as acusações. Ela não compareceu ao tribunal nesta sexta.

Kang Chul-koo, um dos advogados da ex-presidente, disse que vai discutir com ela a possibilidade de recorrer da decisão, o que deve ser feito em até uma semana.

"Nós tentamos o nosso melhor, mas o resultado infelizmente foi muito ruim. Um dia a verdade será revelada", afirmou ele ao deixar o tribunal.

Os procuradores também estudam entrar com um recurso para aumentar a pena, já que tinham pedido 30 anos de prisão para a antiga líder.

PROTESTO

Após o anúncio da decisão do tribunal em Seul, apoiadores da Park realizaram um protesto em frente à corte.

Ela é filha do ditador militar Park Chung-hee, que comandou o país de 1961 a 1979, um dos nomes mais polêmicos da política sul-coreana.

Acusado de torturar e prender oponentes, ele também é considerado o pai do alto crescimento econômico do país nos anos 1960 e 1970.

O ditador foi morto por seu próprio chefe de inteligência em 1979 –a mãe da ex-presidente já tinha morrido em 1974, em uma tentativa de assassinato contra o pai.

Com a morte dos dois, Park se afastou da vida pública e passou a ter como mentor Choi Tae-min, guru espiritual do ditador e pai de Choi Soon-sil, a amiga também condenada.

Ela voltaria à política nos anos 1990, quando foi eleita deputada e em 2012 venceu a eleição presidencial com apoio conservador.

Pouco depois, porém, começaram a surgir as primeiras denúncias da ligação entre ela e Choi, que acabaram levando a sua deposição em 10 de março de 2017, o que a transformou na primeira presidente a ser destituída por meio de processo de impeachment no país desde a divisão da península Coreana em 1948.

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