A presença feminina no mercado imobiliário goiano tem crescido de forma significativa nos últimos anos. Dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO) mostram que, nos últimos cinco anos, o número de mulheres inscritas na profissão aumentou 60,75%, indicando uma mudança no perfil de um setor que, até pouco tempo atrás, era predominantemente masculino.
Somente em Goiás, o volume de novas inscrições femininas avançou 48,68% no mesmo período, superando a média nacional, que ficou em 40,86%. Apenas no ano passado, 1.024 mulheres passaram a integrar oficialmente a profissão no Estado.
A busca pela independência financeira e pela possibilidade de conciliar trabalho e rotina pessoal está entre os principais fatores que têm atraído mulheres para a área. A corretora Aline Pitaluga afirma que a flexibilidade de horários e a possibilidade de impactar a vida das pessoas foram determinantes para sua escolha profissional. “A flexibilidade de rotina e horários, depois, a oportunidade de transformar vidas e negócios por meio do meu trabalho e das minhas orientações. Amo ser desafiada a novos patamares, aprender, ensinar, entender e negociar, me fascinam”, destaca.
Outro fator apontado por profissionais do setor é o reconhecimento, por parte dos clientes, de características associadas ao atendimento feminino, como atenção aos detalhes e sensibilidade para compreender as necessidades de quem busca um imóvel.
De olho nesse movimento, a URBS Imobiliária criou, há dois anos, a URBS Donna, primeira unidade da empresa formada exclusivamente por mulheres. A iniciativa surgiu da percepção de que muitas profissionais buscavam apoio para ingressar e crescer no setor.
“Eu já estava no mercado há muitos anos, já era diretora de outra agência da URBS e muitas mulheres me procuravam pedindo ajuda, falando que me viam como referência no mercado e com o sonho de ingressar”, conta Maria Rosa Rodrigues Martins, sócia-diretora e uma das idealizadoras da URBS Donna.
Segundo ela, a receptividade dos clientes superou as expectativas. “A aceitação dos clientes foi muito maior e mais rápida do que eu imaginava. Desde o começo tivemos clientes que, inclusive, preferiram ser atendidos por nós, se sentindo mais seguros e bem atendidos”, afirma. Atualmente, a unidade conta com uma equipe de 30 corretoras.
Maria Rosa destaca ainda que a empatia e a escuta ativa são características que ajudam a fortalecer a relação com o cliente. “As mulheres normalmente conseguem buscar o imóvel pensando em quem de fato está do outro lado, olhando o cliente como indivíduo e não somente como um número ou mais uma venda”, afirma.
Para ela, o espaço voltado exclusivamente às profissionais também tem o objetivo de incentivar a qualificação e fortalecer a presença feminina no setor. “Criar um ambiente onde mulheres podem realmente atingir o seu melhor na vida profissional, que as encoraje e impulsione e, ao mesmo tempo, ter uma imobiliária que realiza bons negócios e seja referência para os clientes do mercado imobiliário”, conclui.
Mesmo com o crescimento da participação feminina, Aline acredita que o principal diferencial está na qualidade do trabalho. “Não vejo dificuldades em ser mulher no mercado imobiliário. Acredito que o mais importante é ser uma excelente profissional, e isso independe de gênero”, pontua.
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