27 de junho de 2022
Eleições 2012

Moura: vice que Maguito dispensa

Péricles Carvalho/ Tribuna do Planalto

Sem uma orientação decisiva da Executiva estadual, o diretório petista de Aparecida de Goiânia não tem um nome de consenso para indicar como possível vice de Maguito Vilela (PMDB). A aliança entre PT e PMDB no município pode sofrer desgastes caso o aliado não atenda as exigências de Maguito em chegar a um nome de seu agrado para compor a chapa. Para sustentar a coligação, O PT precisa barrar o vereador Helvecino Moura, que hoje tem o controle absoluto do diretório municipal, e não está disposto a ceder. Maguito não engole o vereador.
Nos bastidores, petistas reclamam que o vereador Moura teria “tomado o partido para si” na tentativa de viabilizar seu nome à vice. O problema é que não há consenso em torno de seu nome e para muitas lideranças do partido, a única maneira de frear o vereador é uma intervenção estadual liderada pelo deputado federal Rubens Otoni (PT).
Não é esse o discurso do vereador Moura que afirma ter seu nome ratificado pela maioria dos delegados eleitos em reunião do diretório municipal, no último dia 25. Na ocasião, o PT local se reuniu para eleger representantes da legenda que ficariam incumbidos de conduzir o debate eleitoral. Nas contas do vereador, ele tem 60% dos 180 delegados, e outros nomes do partido vêm logo depois, como o do secretário de governo do município, o ex-deputado Ozair José, que conta com 52 delegados.
“Ozair hoje tem 20% dos delegados e acabou perdendo força dentro do partido. Ele disputou, tentou costurar suas alianças políticas, mas não tem força para ser o vice. Deve sair como candidato a vereador”, disse Moura. Fala-se nos bastidores que a saída de Ozair do PP para integrar o PT teria ocorrido mediante acordo de que ele ocuparia a vice de Maguito. Apesar do boato, o partido negou que tenham ocorrido negociações deste tipo no ano passado.
A versão de Moura é contestada por lideranças do partido, que afirmam que o vereador montou uma chapa com respaldo do sub-chefe de relações institucionais da presidência da República Olavo Noleto, e os dois “ganharam juntos” os 60% dos delegados. “A chapa não é só dele, o nome do Olavo está na mesa e caso o mesmo decida não apoiar Moura, ele estaria perdido”, explicou um petista.
No partido, fala-se que os rumos do diretório municipal de Aparecida de Goiânia precisam ser corrigidos o mais rápido possível. O poder construído pelo vereador Moura na cidade gera certo incômodo no PT – muitos acusam o vereador de tomar decisões unilaterais sem que haja discussão e consenso entre as forças políticas da legenda.
A ida de Ozair José para a legenda, assim como o posicionamento estratégico de Olavo Noleto no município, tem relação direta com o anseio do diretório estadual em efetivar mudanças locais na legenda em Aparecida. Pelo menos no discurso de lideranças, fica claro que o trabalho no município “começou tarde”, e será difícil evitar confrontos diretos internamente no contexto da eleição municipal deste ano.

Factoide
Para petistas ligados ao diretório estadual, Moura está tentando criar um factoide, afirmando que teve seu nome referendado pelo diretório municipal. A estratégia do vereador seria testar a reação de Maguito Vilela. Sabe-se nos bastidores que o prefeito tem grande resistência em relação ao nome de Moura.
O atrito entre Maguito e Moura começou em 2008, período em que o vereador atuou fortemente contra a candidatura peemedebista no município. De acordo com Moura, ele apenas seguia orientações do partido, que na época cobrava que se fizesse oposição ao peemedebista. Para o vereador, os tempos são outros, e “sempre houve admiração em relação ao político que é Maguito Vilela”. Apesar dos afagos, Maguito já sinalizou sua preferência por Ozair José e Olavo Noleto para ocupar a vice.
Moura afirmou que sempre teve um bom relacionamento com Maguito, e que na eleição de 2008, o atual prefeito de Aparecida chegou a oferecer a vice para o PT. O acordo só não foi fechado na ocasião, segundo o vereador, porque o contato foi feito tardiamente pelo PMDB da cidade. “Inclusive eu seria o vice de Maguito, caso tivéssemos fechado com o PMDB”, destacou ele.
Até o momento, Maguito Vilela não interveio diretamente na escolha do vice, e age sutilmente nos bastidores mostrando suas preferências e esperando que o PT se posicione. Sobre possíveis conversas com o PSDB, o diretório regional do PT acredita que é natural que o prefeito busque o apoio do governo do Estado para viabilizar a administração municipal e levar melhorias para Aparecida.
No entanto, petistas se dizem céticos em relação a conversas de teor político entre PMDB e PSDB na cidade. “Isso é infundado, e soa como uma mentira criada para atrair atenção. Isso não procede”, explicou Moura. Para o vereador, Maguito é experiente, e sabe o que “deve ser feito”, e não deverá contrariar as determinações do diretório estadual peemedebista.
O vereador acredita ser inviável uma coligação do PMDB com outro partido que não seja aliado na esfera estadual. Para muitos petistas, a certeza de que Maguito fechará com o PT dá fôlego para que Moura pressione o partido no sentido de manter seu nome para a vice.
Alguns petistas avaliam que o vereador tem a expectativa de que o prefeito deverá aceitar seu nome “de qualquer maneira”, para manter a aliança. À Tribuna, Moura afirmou que o partido “só espera o anúncio oficial do nome de Maguito à reeleição” para que seu nome seja apresentado para ocupar a vice. (Colaborou Onofre Abreu Neto, estagiário do convênio Tribuna/PUC-GO)

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