10 de julho de 2026
PROGRAMA FEDERAL

Motoristas de aplicativo vivem expectativa de aprovação dos cadastros para financiamento no Move Brasil

Condutores ligados à Astago aguardam aprovação de financiamentos do programa federal para compra de veículos novos
Expectativa entre os motoristas goianos é grande - Foto Rovena Rosa - Agência Brasil
Expectativa entre os motoristas goianos é grande - Foto Rovena Rosa - Agência Brasil

O clima entre os motoristas de aplicativo de Goiânia ligados à Associação dos Trabalhadores por Aplicativo do Estado de Goiás (Astago) é de grande expectativa pela aprovação de seus cadastros para os financiamentos previstos no recém-lançado Move Brasil, plano do governo federal para facilitar a troca dos veículos por carros novos, movidos a energia limpa.

Nos últimos dias, de dez motoristas por aplicativo – todos da plataforma Uber – consultados informalmente pelo Diário de Goiás, sete disseram que estão estudando com otimismo as propostas. Desses, três alugam veículos pagando mais de R$ 3 mil por mês, fora o combustível.

O presidente da Astago, Pedro Kerdol Júnior, que representa cerca de 200 motoristas de aplicativo, declarou ao DG nesta sexta-feira (29) que muitos associados já se inscreveram no programa pelo e-gov e aguardam o período de análise dos cadastros – cerca de cinco dias -, para que tenham respostas e possam procurar os bancos cadastrados e avançarem na negociação até dia 18 de junho.

“A adesão foi feita. Estamos muito otimistas. Vale a pena sim devido aos seis meses de carência que ajudam o motorista a organizar suas contas. O período de 72 meses também ajuda e os juros do financiamento [ao ano] a 12 e meio por centro para homens e 11 e meio porcento para mulheres, também é um benefício para se ter um carro novo”, observa ele, lembrando que, sem o aporte governamental, esses juros podem chegar a 25% ao ano para carros novos.

Peso do endividamento

O Move Brasil é válido para veículos zero de até R$ 150 mil (incluindo modelos flex, híbridos e elétricos). Para Pedro Júnior, o maior dificultador no momento é o fato de que muitos motoristas que vivem desse trabalho estão endividados ou inadimplentes e por isso não têm crédito autorizado. “90% dos motoristas estão nessa situação, comprometidos com contas a pagar, financiamentos, e a maioria com restrições no nome nos birôs de crédito”, lamentou.

Ele disse que a expectativa também é positiva no sentido de que um fundo garantidor de investimentos, previsto pelo Move Brasil, ajude nestes casos para que os financiamentos dessa parcela também sejam viabilizados através de uma prevenção para que o BNDES socorra os casos em que o motorista não conseguir pagar. “É o que eles estão chamando de facilitador”, cita.

Além disso, ele observa que soube por alto de uma possível resolução nova do BNDES que também prevê que os próprios bancos envolvidos podem acrescentar nas parcelas um valor de fundo [preventivo] no caso de motorista aprovado que esteja endividado. Neste caso, o “fator risco” pode elevar o financiamento.

Outro aspecto importante, confirma Pedro Júnior, é a insegurança apontada por alguns motoristas de aplicativo que ainda são receosos dos carros que não são movidos a gasolina. Nas conversas do DG com os motoristas, ficou claro o receio sobre a “vida útil”, especialmente dos carros elétricos, rodando cotidianamente no transporte de passageiros, bem como itens essenciais como o seguro e o custo da bateria.

Ele confirma: “Realmente há preocupação com os veículos elétricos que ainda são novidade no país, mas já tem muitas vendas acontecendo. O problema do nosso motorista é uma colisão no veículo e ele ficar parado muito tempo. Não temos seguro de trabalho e de renda. Também o tipo de combustível gera insegurança, mas a maioria quer o elétrico”.

Atenção aos custos

Além do custo disso, ele observa que o valor do seguro e do IPVA também devem ser considerados pela categoria na hora de aderir ao Move Brasil. “Um veículo de R$ 150 mil, pode ter um IPVA de R$ 4,5 mil”, cita. Por outro lado, lembra ele, são veículos que não vão bancar diariamente os atuais valores elevados do etanol e da gasolina, especialmente. No caso de um carro alugado por exemplo, Pedro Júnior calcula que o valor final, entre aluguel e combustível (“uns R$ 3,5 mil por mês”), “nessa matemática, vai [custar] uns R$ 6,4 mil por mês”. Já no financiamento pelo Move Brasil, calcula ele, “num carro de R$ 150 mil, pagando todos os valores com a prestação em torno de R$ 3 mil, não sai a mais que R$ 4,5 mil [ao mês] para um carro que é dele”.

A reportagem não conseguiu localizar outras associações. O Sindicato dos Taxistas, que também são beneficiados, não atendeu o telefone na manhã desta sexta-feira.


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