14 de junho de 2024
ELEIÇÕES 2024 • atualizado em 18/05/2024 às 17:10

Misael Oliveira anuncia aliança com Novo para disputar Prefeitura de Senador Canedo

Ex-prefeito declara que vice será do Novo e que não pensa em aproximar de Vanderlan Cardoso; falando que faltou divulgar seu legado, Misael agora foca nisso
Acordo com o Novo foi negociado na última quinzena informa Misael Oliveira Foto
Acordo com o Novo foi negociado na última quinzena informa Misael Oliveira Foto

O ex-deputado e ex-prefeito de Senador Canedo Misael Oliveira anunciou acordo com o Partido Novo e que vai disputar a prefeitura da cidade novamente, compondo com o DC e o PRD, partido dele. De acordo com o pré-candidato, o vice será o jornalista Milter Maia, que seria o nome do Novo para concorrer à prefeitura na eleição deste ano.

Em entrevista ao editor-chefe do Diário de Goiás, jornalista Altair Tavares, Misael explicou que vinha negociando com o Novo com intensidade nos últimos 15 dias. O objetivo era uma composição “já que o quadro eleitoral está aberto em Senador Canedo”, avalia.

No grupo com o mesmo perfil, Misael reconhece que já há três pré-candidatos: o prefeito Fernando Pelozzo (UB), o ex-prefeito Divino Lemes (PDT) e a ex-primeira-dama Izaura Cardoso (PSD). “Mas vimos nas pesquisas que o jogo embolou. Começaram a me abordar para ser candidato e fui analisando, diante do processo político aberto, resolvemos compor com o Novo”.

Sem afagos com Vanderlan

Por outro lado, se há uma composição descartada pelo ex-prefeito, é o com o antigo aliado, o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Na entrevista, Misael relembrou o rompimento com Vanderlan, marido de Isaura, em 2014. Na época, o desenlace foi amenizado com outras aproximações, que, segundo Misael, terminaram com novos rompimentos em momentos decisivos em que contava com o apoio de Vanderlan, atualmente pré-candidato à Prefeitura de Goiânia.

No âmbito da disputa local, ele admite que disputa com Izaura os votos dos mesmos círculos de eleitorado da cidade, mas está apostando em desgaste pela “dupla” candidatura do casal (Ela em Senador Canedo e Vanderlan em Goiânia).

“Decidi seguir meu caminho porque não adianta fazer compromisso comigo que sei que ele [Vanderlan] não vai honrar. Sou político antes dele entrar na política. Já era vereador, fui deputado. Dizem que passarinho que dorme com morcego amanhece pendurado, e passei por essas dificuldades. Hoje não acredito em qualquer compromisso que ele faça. É o momento de resgatar o meu legado”, alfineta Misael.

Analisando pelo cacife

Ele prefere nem comentar os outros nomes na disputa pela prefeitura de Senador Canedo (Alexandre Braga, do Agir, Thiago Moura, do PMB, e Cristiane Pina, do Solidariedade). Prefere mesmo é apontar o cacife político dos mais citados nas pesquisas: “São dois ex-prefeitos, um prefeito e uma ex-primeira dama, esposa de um senador que é muito bem avaliado no município”.

E prossegue focado em Vanderlan Cardoso. “Não acredito no êxito da campanha do Vanderlan. E hoje o eleitor da Izaura vota nela por causa do Vanderlan. Se ele se envolver com Goiânia e largar ela aqui, vai ocorrer com ela o que aconteceu com o Zélio (Zélio Cândido, pré-candidato a prefeito nas eleições de 2016). Tínhamos pesquisa em 2016 que mostrava que o Zélio seria o próximo prefeito. Vanderlan foi mexer com Goiânia e o deixou sozinho. O grupo se dividiu e o Divino Lemes ganhou com 21 mil votos. Hoje o quadro é semelhante a 2016, todos embolados”.

Chapa montada

Misael afirma que, além do Novo e do PRD, a composição conta também com o DC onde a esposa dele, Eliete Gonçalves, é presidente. De acordo com ele, o Novo entra com uma chapa de vereadores já montada. “Conversei com Milter Maia (que era eventual nome do Novo à prefeitura) e a receptividade tem sido muito boa. Minha rejeição caiu muito, conforme as pesquisas. Meu problema foi que o mandato [de prefeito] foi muito mal divulgado”, sustenta ele.

Falando do legado

O ex-prefeito fez questão de listar o legado de sua gestão: “Fiz 1.132 casas em quatro anos, não deixava faltar remédios, exames nem cirurgias. Eu entregava remédio em casa para mais de 3 mil pessoas, entregava os kits escolares todos os anos para mais de 22 mil alunos com material de primeira qualidade”.

Ele também citou que investiu na Secretária de Infraestrutura da cidade. “Comprei mais de 16 máquinas e equipamentos, pás carregadeiras, patrol, trator de esteira, caminhão trucado. Além disso, colaborei com o processo de desenvolvimento implantando condomínios fechados, e só voltei a liberar loteamentos no final de 2016 porque precisava resolver problema da água. Então fiz o lago do Haras, o lago do Paraíso, e ainda construí um reservatório de 10 milhões de litros de água. Também fiz um projeto que deixei pronto e o sucessor não prosseguiu, que é a Barragem do Ribeirão Sozinha, com 10 metros de altura na região do Alta Vista”.

De acordo com ele, essa barragem resolveria o problema de água em Senador Canedo. “Esse ribeirão tem quase a mesma vazão do João Leite e seria um abastecimento da cidade por gravidade”, pontuou. O pré-candidato avançou citando que fez redes de esgoto em vários bairros da cidade. “E deixei R$ 32 milhões para rede de esgoto, com obra licitada e dinheiro em caixa, mas meu sucessor não quis fazer, não sei por quê. Parece que esse R$ 32 milhões se perderam”, cogitou Misael.

Ele continuou afirmando que, após seu mandato, “com exceção de casas entregues pelo atual governador, Ronaldo Caiado, não se construiu mais casas nem rede de esgoto na cidade. Isso eu mostrei que dou conta de resolver. Não vou ficar omisso nesse processo, então”.

Intensificar pré-campanha

Elogiando o pré-candidato a vice, ele disse que a decisão agora é por intensificar a pré-campanha nas redes sociais, contando com as equipes do Novo e do DC.

Ele sinaliza que a chapa não foi montada para negociar e depois compor com outras legendas. “Nossa pré-candidatura é para ir até o final, é para ir para a convenção e para a disputa”, enfatizou.

Para finalizar, o pré-candidato disse que tem pesquisas internas sobre a eleição desse ano. Ele analisa que o resultado desses levantamentos mostra estagnação dos nomes que estavam colocados, especialmente Isaura e Divino, exceto por Fernando Pelozzo. O diferencial, sustenta ele, é que ele não tinha colocado a pré-candidatura abertamente e nem feito alianças, como agora.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.