21 de junho de 2024
TRAGÉDIA CLIMÁTICA

Ministério da Saúde estima 1,6 mil casos de leptospirose no RS após enchentes

Avaliação é de que em semanas o número será quatro vezes maior que todos os casos registrados no ano passado inteiro
Ministra fez alerta sobre a doença em Porto Alegre - Foto: Agência Brasil / Waltterson Rosa
Ministra fez alerta sobre a doença em Porto Alegre - Foto: Agência Brasil / Waltterson Rosa

O Ministério da Saúde faz uma projeção de até 1,6 mil casos de leptospirose registrados no Rio Grande do Sul em razão das enchentes que atingiram municípios gaúchos ao longo das últimas semanas. O número é quatro vezes maior que o total de casos da doença contabilizados ao longo de todo o ano de 2023 no estado, que chegou a 400 casos.

O cenário epidemiológico foi divulgado nesta quarta-feira (29) pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, durante coletiva de imprensa em Porto Alegre.

“Vimos dados que mostram preocupação com leptospirose”, disse, ao lembrar que cinco pessoas já morreram no Rio grande do Sul em razão da doença após as enchentes.

Ministério da Saúde faz projeção e ministra pede para não esperar confirmação de diagnóstico

“Há tratamento para leptospirose e, por essa razão, nós recomendamos – queria enfatizar isso – que não se espere a confirmação do diagnóstico. Temos testes, o laboratório central está processando esse material e isso é importante para que a gente conheça a realidade. Mas o tratamento se dá a partir do momento em que se verificam os sintomas”, declarou a ministra, conforme divulgou a Agência Brasil.

Estimativa aumenta com as condições precárias nas áreas atingidas Foto: Agência Brasil Rafa Neddermeyer

Além disso, ela destacou sobre o perigo da automedicação. “Está havendo atendimento de saúde e é fundamental também, naturalmente, que as pessoas não se automediquem”.

Representantes do Ministério da Saúde se reuniram esta semana com gestores municipais da região, representantes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), e sociedades científicas do Rio Grande do Sul para discutir ações de enfrentamento a patologias causadas pelas enchentes e pelos temporais que atingiram o estado nas últimas semanas.

Fake News prejudicam profissionais de saúde também

Durante a coletiva, a ministra reforçou a necessidade de combate à desinformação e pediu um ambiente que valorize as instituições. “Precisamos da sociedade e do Estado, juntos. Isso é muito importante”, disse.

Segundo Nísia, não há, por exemplo, falta de vacinas no estado, como vinha sendo veiculado por meio de fake news em redes sociais. “O município havia sido invadido pela água, pôde se recuperar as vacinas. A gente fica até emocionado e quero agradecer a todos os trabalhadores da saúde e da gestão que fazem esse esforço hercúleo”.

O que é a leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria leptospira, presente na urina de roedores e comumente adquirida pelo contato com água ou solo contaminados. Na fase inicial da doença, os pacientes podem sentir febre igual ou maior que 38 graus Celsius (°C), dor na região lombar ou na panturrilha e conjuntivite.

Os sinais de alerta para gravidade, que podem aparecer a partir da segunda semana, envolvem sintomas como tosse, hemorragias ou insuficiência renal.

O tratamento é com antibióticos. A antibioticoterapia é indicada em qualquer período da doença, mas sua eficácia costuma ser maior na 1ª semana do início dos sintomas.


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Marília Assunção

Jornalista formada pela Universidade Federal de Goiás. Também formada em História pela Universidade Católica de Goiás e pós-graduada em Regulação Econômica de Mercados pela Universidade de Brasília. Repórter de diferentes áreas para os jornais O Popular e Estadão (correspondente). Prêmios de jornalismo: duas edições do Crea/GO, Embratel e Esso em categoria nacional.